Shakira conquista o ouro num campeonato que é só dela

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© Ivo Aguiar Carvalho

Depois de um problema na corda vocal direita a ter obrigado a adiar a digressão “El Dorado World Tour”, Shakira regressou a Lisboa e o público português não quis perder este tesouro da música latino-americana.

“Estoy aqui”. As palavras soaram e teve início o espetáculo de Shakira na quase cheia Altice Arena. Voltando atrás no tempo, ao primeiro grande tema da sua longa carreira, a cantora colombiana agarrou o público (quase sempre no seu português do Brasil) e nunca mais o largou. A loba feroz que pôs os fãs a uivar – literalmente – afiou as garras e ultrapassou o problema de saúde vocal que, em novembro do ano passado, quase a impediu de continuar a ser quem é. “Pensei que nunca mais poderia cantar mas os milagres acontecem”, declarou Shakira, emocionada, antes de interpretar a romântica “Nada”, em jeito de dedicatória aos fãs.

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Os ritmos reggaeton chegaram com “Perro Fiel” e a cantora aproveitou a participação no tema de Nicky Jam – presente nos ecrãs gigantes – para se lançar aos versos de “El Perdón”, tema conhecido pela voz de Enrique Iglésias. O público dançava e pedia mais numa sala repleta de famílias, jovens e casais que conheciam de trás para a frente as recentes colaborações de Shakira com vozes masculinas da música latina.

Os clássicos e sucessos não faltaram: “Whenever, Wherever”, introduzido por um mini-filme de animação sobre a lenda de Chiminigagua e um jogo de cintura invejável e, como sempre, marcante de Shakira; “La Tortura”, “Loca”, “Hips Don’t Lie” (e continuam a não mentir); as remisturas não tão bem conseguidas de “Can’t Remember to Forget You”, em versão reggae, e “Underneath Your Clothes”, onde a guitarra deu lugar à batida eletrónica dançante; e “Waka Waka”, que levou toda a sala a dançar, cantar e bater palmas por África.

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“El Dorado”, o álbum lançado no ano passado e que dá nome à digressão que aqueceu Lisboa, tem o título inspirado na lendária cidade do povo colombiano e já valeu à cantora o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Latino. O espetáculo não merece um prémio tão prestigioso quanto o disco mas o poder de Shakira em palco prevalece e faz dela uma verdadeira pérola no território da música latina, ainda dominada pelo género masculino.

Já no encore houve ainda tempo para o apelo à causa social, com imagens de crianças que, entre 263 milhões, “ainda não têm acesso à educação”. A colombiana mostrou a sua faceta humanitária e no meio da plateia interpretou “Toneladas” – outro dos momentos da noite.

O repertório espanhol predominou e o final chegou com chave de ouro ao som do tema “La Bicicleta”, entoado em peso pela sala. Com uma produção minimalista, um alinhamento prateado e um público mais que satisfeito, Shakira viajou confortavelmente até ao seu passado, flutua nas tendências do presente e provou que não precisa de muito para continuar o seu reinado como a cantora latina do futuro.

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