Silveira Rock Fest 2018

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O Silveira Rock Fest é uma iniciativa excelente para o underground português e está a crescer a olhos vistos. Este ano presentearam-nos um cartaz bem apetitoso. De facto penso que o espaço começa a ser pequeno para a qualidade das bandas que querem abraçar. Sempre com um ambiente familiar e descontraído é um íman para quem gosta das sonoridades mais pesadas.

O Silveira Rock Fest é uma iniciativa excelente para o underground português e está a crescer a olhos vistos. Este ano presentearam-nos um cartaz bem apetitoso. De facto penso que o espaço começa a ser pequeno para a qualidade das bandas que querem abraçar. Sempre com um ambiente familiar e descontraído é um íman para quem gosta das sonoridades mais pesadas.

O cartaz anuncia All Against, banda recente de trash metal e com muita energia em palco; Inner Blast, gothic metal muito bem representado pela poderosa voz da frontwoman Liliana; Prayers Of Sanity, o thrash algarvio poderosíssimo; Dollar Llama, sem precisar de qualquer apresentação a uma das melhores bandas do hard rock português com influências de sludge/southern/stoner e, para terminar, The Temple, uma das bandas de referência do nosso underground.

Às 16h já se via algum movimento. A reunião acontece muito antes do começo das bandas o que sugere um ambiente de convívio pré-concertos. Pessoas animadas e entusiasmadas com mais uma reunião anual de uma festival que começa a marcar o calendário de muitos amantes do underground.

A primeira banda a actuar é All Against, com 45 minutos de atraso devido a problemas técnicos, mas sem ninguém se aborrecer pois o convívio, a bebida, a restauração, a Feira Metal com música para ouvir, para comprar e para vestir preenche o atraso pouco notado por todos nós.

All Against é uma banda recente de thrash metal, de 2015. O primeiro lançamento foi em 2017 com o EP “Medusa”. Começaram com “Rise and Fall” pertencente ao álbum gravado ao vivo no Vila Rock 2017. Seguiram com as poderosas “Silver Bullet” e “Crash and Burn” do primeiro EP. O público estava ainda a aquecer e com o calor que se fazia sentir, era difícil uma interacção mais firme. As músicas pediam mosh pit mas estava muito calor no pavilhão e muitos estavam a observar o trabalho desta nova banda de thrash. Sempre enérgicos e entusiastas seguiram com “Cut in Blood”. Bom trabalho com o baixo, sempre rápido, de Emanuel Carmo e a voz growling poderosa de Rui Miguel. Continuaram com os temas do primeiro álbum ao vivo e terminaram com “Medusa” nome do seu primeiro EP. Banda a crescer com bom potencial no nosso underground português.

© Jorge Pereira

All Against – galeria completa AQUI

Inner Blast foi a segunda banda a actuar. A banda de gothic metal com a voz dupla de Liliana, tanto melódica como rasgada começou com o tema “Private Nation” do álbum de estreia “Prophecy”. Este tema mostra bem a versatilidade da voz e do que a banda é capaz de alcançar. Continuamos com “Darkest Hour” que se destaca pela bateria e riffs bem pesados. O tema “Legacy” mostra o padrão melodioso da voz. Todos os temas estão enquadrados na atmosfera gótica, desde a roupa, as guitarras com riffs pesados e clássicos, a voz melódica e limpa em contraste com o gutural. Inner Blast finalizou com o tema “Feel the Storm” bem melódica e dramática. Promissora banda de gothic metal em Portugal.

© Jorge Pereira

Inner Blast – galeria completa AQUI

A terceira banda, Prayer Of Sanity, vinda do Algarve, conhecida no panorama nacional, consiste num thrash com bastantes influências old-school, tanto no instrumental como no vocal, não faltando os tradicionais ‘gang vocals’ usados nos anos 80. A setlist dividiu-se pelos três álbuns lançados, começando pelo mais recente, em 2017, “Face of the Unknown”, temas como “Dead Alive”, “Past Present None”, “Unturned” e “Face of the Unknown” foram os primeiros a serem tocados e suscitou o entusiasmo do público e circle pit na plateia. Um thrash energético com influências da velha guarda, riffs técnicos e solos bem rápidos. Terminaram com o tema “Evil May Die” do primeiro álbum “Religion Blindness”. É uma banda fiel ao thrash old-school mas sem imitar riffs e sons já anteriormente feitos, banda com ideias e criatividade.

© Jorge Pereira

Prayers of Sanity – galeria completa AQUI

Dollar Llama, banda de hard rock bem conhecida em Portugal, com sérias influências de sludge, stoner e southern rock, presentearam-nos principalmente com o seu último álbum “Juggernaut” lançado em dezembro de 2017. Os primeiros três temas “Days of the Highwatt”, “Grand Union” e “Jaws” pertencem ao álbum “Grand Union” de 2015. O público estava bastante entusiasmado e sempre a cantar,  Tiago Simões não resistiu, desceu do palco e cantou no meio do público. O público sempre em alta com circle pit, stage dive e até um wall of death. Tempos lentos, riffs pesados e marcantes, vocal rasgado, som bem ao estilo de Phil Anselmo em “Down”. Seguiram-se os temas “Semigod”, “Knucklehead” e a espectacular “Louder”. O público estava ao rubro. Finalizaram com o tema “Stagefires”, bem pesado e cheio de adrenalina. Excelente representação do southern/sludge português.

© Jorge Pereira

Dollar Llama – galeria completa AQUI

Finalmente subiram ao palco os esperados The Temple, desde 1993, com três álbuns lançados, um EP e 2 demos. Cheios de energia a banda de heavy metal, apesar das quebras de luz e problemas no som da guitarra de Tiago Menia, não deixaram de dar um excelente concerto. Os dois primeiros temas de abertura vieram do seu último álbum “Serpentiger” lançado em 2015. Cheios de garra, destacaram-se bastante a bateria de Rui Alex e os solos de guitarra de Marcelo. A voz de João Luís, ora rasgada, ora com um vocal mais clean, soa forte e os níveis de adrenalina sobem. Circle pit e stage dives, sempre com a plateia ao rubro. No tema “Fightbull” não se deixou de se realizar o wall of death. Na “War Dance” um tribal na bateria acompanhado pelo João e por Marcelo muito aplaudido pelo público, a lembrar a percussão tribal dos Sepultura. Terminaram com “Millionaire” e fecharam mais uma edição do Silveira Rock Fest.

© Jorge Pereira

The Temple – galeria completa AQUI

O Silveira Rock Fest está de parabéns, sempre a subir de nível ano após ano. De salientar que realmente o espaço começa a ficar pequeno para as bandas e para o público em ascensão, devido ao crescente sucesso que este festival tem conquistado. Muitos parabéns. Para o ano há mais!