Sirenia (e convidadas): metal no feminino no RCA Club

Não foi maré cheia mas foi cheia o suficiente para os artistas se sentirem recebidos com carinho e energia por parte do público.

A quem agrada uma mistura generosa de metal com rostos bonitos dificilmente terá encontrado melhor local onde passar o serão que no RCA, no dia 10 de novembro, que hospedou quatro bandas que electrizaram a sala de concertos ainda que a afluência do público não tivesse sido assim tanta. Não foi maré cheia mas foi cheia o suficiente para os artistas se sentirem recebidos com carinho e energia por parte do público.

A abrir as portas estiveram os Season Of Tears, de origem francesa, que iniciaram a noite com o seu metal sinfónico. Enérgicos e bem-dispostos, cativaram  principalmente com A New Dawn e o belíssimo entrelaçamento das vozes da vocalista Juliette e de Lénna nas teclas.

© Jorge Pereira

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A seguir veio uma das surpresas da noite: os Paratra, vindos directamente de Mumbai, Índia. Foram entrando um a um no palco: baterista, guitarrista, vocalista e, por fim…aquilo é um tocador de cítara? Sim, era um tocador de cítara e que detonou sem limites. Música potente, com um vocalista cheio de presença, um guitarrista que fazia a guitarra relinchar como um cavalo (e que teria deixado Dimebag Darrell repleto de orgulho) e a tal cítara que deu um toque único à musicalidade da banda. Ponto altos? Todos mas principalmente Waste of Time e Paradise (que o vocalista dedicou à esposa).

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Os Triosphere não deram tréguas e pisaram ainda mais no pedal do peso. Não sendo a primeira vez que passam por terras lusas, a vocalista não quis certamente relembrar-nos de algo: que, mais que uma mulher bonita, é uma verdadeira força da natureza. Com os dedos a fervilharem nas cordas do baixo e uma voz poderosíssima a rasgar a garganta, canções como Songwriter levaram o público ao rubro. Já agora, uma vénia à dupla de guitarristas que nos ofereceram, provavelmente, os melhores solos e melodias de toda a noite.

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Finalmente, os cabeças de cartaz fizeram a sua entrada. Bem sei que uma banda toca bem em qualquer lado, se for realmente boa: seja o local pequeno ou grande. Contudo, à bandas que pedem à distância a presença numa arena. Os Sirenia são um exemplo perfeito disso. Vindos da Noruega, encontraram em Portugal um número humilde mas fiel de fãs que provaram conhecer as canções. My Mind’s Eye, Ashes to Ashes e Godess of the Sea fizeram as delícias dos presentes, hipnotizados não apenas pela voz perfurante de Emmanuelle Zoldan mas também, admitamo-lo, pela sua presença magnética e sedutora.

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Mais uma vez o RCA continua a dar cartas na geografia nacional metaleira e continua a ser aquele sítio que, se todos não sabem o nosso nome como em Cheers, pelo menos sabem o que gostamos de ouvir.