Steven Wilson foi rei em noite de rock Progressivo

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A sala Tejo da Altice Arena praticamente encheu numa quarta-feira à noite, para receber o mestre do rock progressivo Steven Wilson.

Com um novo álbum de originais “To the Bone”, Portugal seria a primeira data do tour de promoção do mesmo e como o próprio anunciou seria a “testing audience” para todo o trabalho desenvolvido para a tour. E de facto Steven Wilson apostou forte em passar o seu show para um nível acima em termos de qualidade.

Toda a produção à volta do concerto confirmou isso mesmo: luzes, som, imagem. Tudo se conjugou numa experiência musical e visual única e envolvente. Todas as músicas foram acompanhadas por projeções de imagens e vídeos, ora na parte frontal do palco com uma tela transparente, ora na parte traseira. Com um grupo de músicos já largamente experimentado e de técnica invejável – onde a novidade foi o novo guitarrista Alex Hutchings – o concerto levou-nos por uma viagem no tempo onde muitos temas antigos da carreira do músico foram tocados pela primeira vez ao vivo.

As hostilidades foram abertas com a apresentação de músicas do último álbum “To the Bone”: “Nowhere Now” e o hit “Pariah” com a imagem da bela Ninet Tayeb, em dueto com Steven Wilson neste tema, a ser projetada na tela e a ser ouvida pela sua voz que acompanha os músicos. O primeiro grande momento da noite.

De seguida dois temas do aclamado “Hand Cannot Erase”: “Home Invasion” e “Regret #9” precederam a primeira incursão aos tempos dos Porcupine Tree, a famosa banda liderada por Steven, através do tema “The Creator has a Mastertape”. Depois de algumas considerações de nível social e político, “Refuge” , “People Who Eat Darkness”, acompanhada de um vídeo poderoso, e “Ancestral” encerravam a primeira parte de um concerto que estava a encher as medidas dos presentes, mas que prometia uma segunda parte ainda mais fabulosa.

15 minutos para repor energias e o público vai à loucura, quando se ouvem os acordes da lindíssima “Arriving Somewher But not Here” dos Porcupine Tree. Nesta altura já toda a sala vivia uma espécie de transe proporcionado pela atmosfera de som e imagens criados. Mais duas faixas do último álbum, “Permanating” e “Song 1” e novamente o regresso a Porcupine Tree, com “Lazarus”. Sem perder ritmo, o desfile de músicas do novo álbum e outras mais antigas dos Porcupine Tree continuou, com destaque para a poderosa “Detonation” e “ Sleep Together” que fechou a segunda parte do concerto.

Nesta altura ninguém ousou abandonar a sala, pois todos esperavam os encores com alguns dos êxitos mais famosos de Steven Wilson. E assim foi. O seu nome foi aclamado em uníssono até o regresso da banda ao palco e Steven não nos defraudou as expectativas: “Even Less” mais uma faixa dos Porcupine Tree, “Harmony Corine” e finalmente “The Raven that Refused to Sing”, acompanhado com o vídeo original – uma verdadeira obra de arte – que encerrou o concerto de duas horas e meia.

A night with Steven Wilson… and what a night!

Fotografia: Mário Monteiro