Super Bock Super Hip-Hop: o género que se impôs ao Rock – Super Bock Super Rock – Dia 2

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Da versão mais descontextualizada de rap de Slow J aos ritmos “Malibu” de Anderson .Paak, o mais esperado da noite foi Travis Scott: um misto de força, irreverência e muita pirotecnia.

Ainda não chegava às 17 horas quando à entrada do recinto do Super Bock Super Rock, no Parque das Nações, percebiam-se imediatamente três coisas: este segundo dia ia ter uma maior enchente que o primeiro, ia existir um público com uma faixa etária mais jovem e que, assim sendo, o rap ia ser rei num festival com “rock” no nome. Cerca de uma centena de pessoas não quis saber do conceito de festivaleiro e fez logo uma fila para a Altice Arena, local onde Travis Scott, Anderson Paak e Slow J iam dar o seu espectáculo.

Já os que quiseram conhecer mais artistas deslocaram-se imediatamente para o primeiro concerto no Palco EDP, com Olivier St. Louis ao barulho, que ofereceu uma sonoridade que combina na perfeição com a sua indumentária: um rock misturado com soul e funk que se assimilava às inúmeras cores que o artista trazia vestido e na sua (não menos vistosa) guitarra vermelha.

Uma hora depois foi a vez a primeira vez de se ouvir as primeiras “barras” de rap no Parque das Nações. E essa tarefa ficou a cargo do português Profjam, que se fez acompanhar pelo compatriota Mike El Nite. O público praticamente redobrou-se e aí percebeu-se o que os festivaleiros queriam exactamente para aquele dia. O cheiro a ganza começa a sentir-se no ar, o que é de todo normal: não fosse Profjam o artista que “rappa” Mortalhas ou Yabba (granda pedra tipo Flinstone), curiosamente duas das músicas que mais fizeram sucesso naquele concerto de uma hora, que só pecou pelos problemas técnicos no início do concerto.

Depois as atenções estavam praticamente todas viradas para o palco principal: a Altice Arena. Às 20 horas, já com uma casa muito bem composta, Slow J iniciou as hostes com um concerto personalizado e com muitos convidados. O artista de Setúbal estava visivelmente feliz com toda aquela moldura humana e fez questão de muitas vezes agradecer ao público e até dar alguns conselhos: “Eu estou aqui. Vocês conseguem alcançar os vossos sonhos, só precisam de motivação”.

Acompanhado por Fred Ferreira na bateria (que também tinha estado a atuar no dia anterior, no concerto tributo a Zé Pedro) e por Francis Dale nos teclados, Slow J cantou alguns dos seus maiores êxitos: “Casa”, “Vida Boa” e “Às vezes” foram entoadas magistralmente. Entre algumas destas músicas houve espaço para convidados muito especiais: Nerve, Carlão, Gson e Papillon e o mais aplaudido do início de noite, Richie Campbell que cantou o tema “Water”.

© Melissa Vieira

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O que surgiu a seguir foram momentos de magia dançáveis. Anderson .Paak levou os seus The Free Nationals e, juntos, trouxeram animação e outra vertente do hip-hop ao festival. Os instrumentais coordenavam-se em perfeita sintonia e o cantor (que também é baterista) saía muitas vezes do seu local de instrumento para dar uns passos de dança com alguns membros da banda. A descontracção e boa disposição estavam à vista, tanto do público como do próprio Paak que interagiu bastante e agradeceu em português “Obrigado, Lisboa!” uma mão cheia de vezes.

A maioria dos temas tocados são do seu último álbum editado “Malibu”. Das músicas mais cantadas com maior receptividade destacam-se “The Bird”, “Am I Wrong” e “Heart Don’t Stand a Chance”. O novo single “Bubblin” que fará parte do próximo álbum de Anderson Paak também fez parte do alinhamento.

© Melissa Vieira

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Perto da meia noite, o homem mais esperado: Travis Scott. O rapper norte-americano tomou a proeza de conseguir, pela primeira vez, encher a Altice Arena (mais de 20 mil pessoas segundo a organização). Começou o seu concerto com toda a carga e disse: “Se não conseguirem sobreviver a esta merda, é melhor saírem agora!”. Ele bem avisou, até porque o seu concerto foi explosivo, literalmente. Muitos foram os efeitos pirotécnicos como jatos de chamas e fumo. O jogo de luzes também era vibrante e fazia uma perfeita coordenação com as rimas enérgicas de Travis Scott. Nestes dois primeiros dias de festival não vimos um público tão mexido e efusivo, dada a tamanha agressividade musical do namorado da socialite Kylie Jenner. Além de todos os seus êxitos, houve tempo para alguns covers de Kanye West, Drake e Big Sean. Também “Mamacita”, “Goosebumps” e Company” foram tocados, deixando todos aqueles que estavam ali de propósito para o ver, completamente extasiados.

A Imagem do Som também esteve, entre estes concertos, a ver excertos de outros nos palcos secundários onde destacamos Luís Severo que conseguiu largar o seu piano, trazer uma banda e dar um pouco de jus ao nome do festival e Tom Misch que fez entoar grande parte dos seus temas e onde ainda brincou com um solo à música de Stevie Wonder, “Isn’t She Lovely”.

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© Melissa Vieira

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© Melissa Vieira