The Prodigy mais três; assim foi o segundo dia de North Music Festival

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Os First Breath After Coma agarraram pela melancolia, Slow J pelas letras, Mão Morta pela incrível modernidade e The Prodigy por… tudo!

O primeiro dia já tinha ficado para trás, e em especial as boas recordações dos concertos de Guano Apes e Gogol Bordello. Naquele sábado já nem a chuva ameaçou. O dia 26 de maio ficará para sempre recordado como o dia do super concerto dos The Prodigy. Também foi por eles que as cerca de 12 mil pessoas se aventuraram até à Alfândega do Porto. Mas já lá vamos…

Tudo começou por volta das 19h15, quando os leirienses First Breath After Coma subiram a placo. Tinham a missão de serem os primeiros a agradar ao público, que por aquela altura, ainda estava em número reduzido. Contudo, o seu estilo indie mais suave combinava de perfeição com o fim de tarde a embater no Rio Douro.

A música passou de Leiria dos FBAC, para a margem de Setúbal do rapper Slow J. O artista multifacetado fez-se acompanhar de uma guitarra eléctrica, para que em algumas das suas músicas também desse uma sonoridade própria às suas músicas. Apesar de cantar algumas músicas mais mexidas, foram as sentidas “Cristalina” e “Serenata” que mais se ouviram entoadas pelo público portuense. Slow J fez questão de agradecer várias vezes a oportunidade de poder atuar num festival como o North Music Festival, com um público tão ecléctico.

Entre estes concertos, muitos foram aqueles que se dirigiram ao espaço de dança  (em especial homens). Não para ouvir música, mas porque o North Music Festival fez questão de proporcionar aos seus festivaleiros a oportunidade de assistir à final da Liga dos Campeões que se realizava aquela hora, entre Real Madrid e Liverpool.

Com a vitória dos Merengues no bolso, até mesmo os mais “vidrados” correram em direção ao concerto dos Mão Morta que estava prestes a começar. A banda de rock portuguesa deu um espectáculo bem nostálgico, como já seria de esperar. O vocalista Adolfo Luxúria Canibal disse muitas vezes aos milhares de espectadores que já se encontravam na Alfândega (cada vez chegavam mais nesta hora) que os Mão Morta estavam ali para entregar de corpo e alma aquele álbum mítico de 1992: “MutantesS21”. Também chegou o momento de pedir desculpa ao público pelo concerto mais curto, já que o álbum tinha apenas 40 minutos.

Mas vá, todos estavam ali naquele dia com um único objectivo em mente. Assistir e curtir ao máximo os psicadélicos The Prodigy. Apesar da espera mais mais prolongada do festival, os The Prodigy entraram a todo o gás com o hit “Omen” e partir daqui não nos lembramos de ver mais ninguém sem estar à espera dos drops certos para saltar e levantar os braços em tons de loucura, tal como aquela batida forte da banda britânica. Nenhuma das grandes músicas como “Firestarter”, “Out of Space”, “Breathe” ou “Smack My Bitch Up” não foram esquecidas e deram ânimo para repetidos moches nas filas da frente, durante o concerto de hora e meia.
Também de destacar o fantástico espectáculo de luzes, também ele muitas vezes psicadélico e por isso, a combinar na perfeição com a sonoridade imposta.

No final da noite e já com os concertos terminados no palco principal, foi DJ Ride o convidado a fazer as honras da despedida. No palco Dance, demonstrou o porquê de já ter sido considerado o melhor do mundo em scratch. De vários ritmos, desde o Hip Hop ao R&B, o português também não esqueceu de introduzir aqueles que todos adoraram naquela noite. Exatamente, os The Prodigy.

O North Music Festival foi assim um festival ecléctico, para todas as idades, e com as expectativas correspondidas, em especial pelas bandas internacionais. Foi um bom aperitivo para todos aqueles festivais que vão estar por aí verão fora.

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Texto de Rui de Sousa e fotografia de Igor de Aboim.