Tremonti: um álbum de morte

78
© Jorge Pereira

A noite estava bem fria e chuvosa, mas isso não impediu a malta de ir ver o grande guitarrista Tremonti dos Alter Bridge e ex-membro de Creed, que, com o seu novo álbum “A Dying Machine” lançado em junho, os trouxe a Portugal. Este projecto surgiu primeiramente para ser a solo, mas entretanto formou-se uma banda. Tremonti, fundada pelo premiado com um Grammy, Mark Tremonti, é uma banda americana de heavy metal.  Formou-se em 2012 e foi a estreia de Tremonti como vocalista. A música da banda apresenta uma influência de speed metal com vocais melódicos e os riffs, de marca Tremonti, bem contagiantes.

© Jorge Pereira

A acompanhar Tremonti, estavam presentes mais duas bandas. Disconnected, banda francesa bem recente com o seu álbum de estreia “White Colossus” lançado em março. Influenciados por muitos estilos, Disconnected cria o seu próprio universo melódico.  Uma mistura de modern metal/progressive metal com o espírito do rock n’ rollThe Raven Age, a segunda banda a acompanhar Tremonti, é uma banda inglesa de melodic metal/groove metal formada desde 2009. Com um álbum de estreia de 2017 “Darkness Will Rise” e um novo single lançado em abril “Surrogate”. É este o projeto de George Harris, filho de Steve Harris… sim dos Iron Maiden.

Eram 19h30 e o recinto ainda estava pouco povoado. No merchandising exposto viam-se as t-shirts das bandas que iriam atuar. Entretanto começaram a chegar os “comes” porque ainda era muito cedo para o jantar e a fome iria apertar ao longo da noite. Os “bebes” já estavam a ser servidos e bem. O público foi aparecendo e o recinto já estava algo composto às 20h, quando começou Disconnected.  A música combina vários elementos do hard rock e do metal num som coeso e inteligente, com momentos progressivos e melodias vocais. É uma combinação perfeita entre alguns riffs pesados ​​e cativantes que combinam perfeitamente com a versatilidade dos vocais, tanto melódica clean como growling que o vocalista Ivan Pavlakovik mostrou no tema “Blind Faith”. A banda, bastante energética, conseguiu conquistar o público e Ivan soube bem representar o papel de frontman que lhe cabia no tema “Loosing Your Self Again” em que desceu do palco e aproximou-se do público para melhor interagir com o mesmo. Fechou com o tema homónimo do álbum de estreia, “White Colossus”, tema brutal com um riff bem possante e um refrão que fica na memória, em conjunto com os vocais bem agressivos, esta é uma música fantástica. Terminaram da melhor maneira.

© Jorge Pereira

Disconnectedgaleria completa

Após um breve intervalo para comer e esfumaçar um pouco, começaram os The Raven Age. Com uma voz clean, os vocais de Matt são bons considerando o tipo de groove metal melódico que The Raven Age toca. Nota-se que The Raven Age evita usar o growling. Tocaram músicas do álbum de 2017 “Darkness Will Rise” como o tema “Promised Land” e “My Revenge”, neste tema notou-se uma voz rasgada do guitarrista back vocal e a voz melódica e clean do baixista. Este tema dá um maior ênfase nos vocais, mais do que qualquer outro componente encontrado na música. Tocaram também o seu último single de 2018 “Surrogate”, quando Matt se juntou à banda. O público estava animado e notava-se o entusiasmo. Durante a actuação de temas do álbum de 2017 nota-se pequenos vislumbres da linhagem de Harris ao estilo Iron Maiden, mas The Raven Age parece ser um bom trabalho dentro da linha do metal moderno, alternativo.

© Jorge Pereira

The Rave Age – galeria completa

Após um longo intervalo, mais moroso que o esperado, começou Tremonti. O recinto estava bem composto, à espera do momento mais esperado da noite. Tentando não rotular o seu trabalho musical, diria que é simplesmente uma forma de rock ‘n’ roll aberto às influências do hard rock mas sempre guiado por uma visão moderna e mais pesada. Abriram com o tema “Cauterize” do álbum de 2015 com o mesmo nome. Melódico, duplo pedal, frenético com momentos de menor rapidez e refrão ”catchy”. A banda usa um grande equilíbrio entre melodias (devido aos seus encantadores refrões e passagens cativantes) e agressividade. Tremonti inclina-se para as tendências mais pesadas do guitarrista. “Take You With Me” e “Dust” lembram os tempos de Creed mas mais pesado e moderno. Os temas mais trituradores como “Throw Them To The Lions”, o dinâmico e pesado “Bringer of War” são temas pesados e agressivos, com duplo pedal e sempre com um refrão que fica no ouvido, como quase todas. Estes dois temas do seu novo álbum “A Dying Machine” certifica que o álbum é selvagem, rico no som com assinatura Tremonti. É pesado, com riffs de guitarra brutais e violentos, combinados com partes melódicas para manter o equilíbrio. Os solos de guitarra (de morte) e o estilo vocal fluido de Mark fazem deste álbum excelente. Terminaram a atuação com o tema perfeito: “Wish You Well” do seu álbum de estreia de 2012 “All I Was”.

© Jorge Pereira
© Jorge Pereira

Tremonti – galeria completa

Foi uma noite espectacular e bem conseguida, todas as bandas primaram pelo modern/alternative metal e penso que todos saímos com um sorriso nos lábios, satisfeitos principalmente com este novo álbum muito bem conseguido, exactamente tudo o que esperamos de Tremonti.