Um furacão chegou a Lisboa sob o signo de Escorpião

Surgidos em 1965, provaram que o melhor hard-rock não nascia apenas dos EUA ou de Inglaterra mas que a Alemanha tinha cartas para dar nessa jogada
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Ainda a semana passada foi referido nas páginas virtuais desta revista, o relato dum concerto (magnífico, por sinal) dum velho conhecido de Portugal que não perde uma oportunidade de regressar ao nosso solarengo país: falamos de Eddie Vedder. Ora, os visitante desta semana entram precisamente nos mesmos parâmetros: falamos, agora, de Scorpions.

Surgidos em 1965, provaram que o melhor hard-rock não nascia apenas dos EUA ou de Inglaterra mas que a Alemanha tinha cartas para dar nessa jogada. Talvez hoje seja difícil, para as gerações mais jovens, ter noção desse furacão alemão que engoliu o mundo inteiro mas não a memória não foi, de todo, apagada. Isso viu-se claramente pelas várias idades que, as 20:30, no Altice Arena, não tiravam os olhos do palco, à espera da chegada duma das maiores “bandas de arena” que alguma vez fizeram o planeta estremecer (e, acreditem, nos anos 80, o mundo dançava ao som destes senhores)

21:14 marcou a entrada. Primeira parte com outro músico? Não, obrigado, eles chegam para encher a noite.

Abrindo com Going Out With A Bang (mais “going in” mas pronto…) ficou desde logo claro que os anos não deixaram crescer poeira nas cordas destes músicos. O Altice aderiu sem reservas enquanto desfilavam clássicos como Zoo ou Is There Anybody Out There.

A voz de Klein Meine continua a mesma que todos ouvíamos há muitos anos, Matthias Jabs continua um guitarrista de primeira linha, com solos alucinantes e um uso totalmente controlado da Talkbox (que a canção Living On A Prayer dos Bon Jovi tornou imortal) e Rudolf Shenker continua a ser a besta (atenção: é um elogio) que sempre foi, saltando dum lado para o outro e abanando a cabeça como se a quisesse desprender do pescoço. Quem estava à espera de surpresas, contudo, pode ter saído desiludido.

Foi um concerto seguro, feita por músicos seguros com muitos kilómetros no cúrriculo e com tudo o que havia para provar já provado. E, honestamente, não havia qualquer necessidade de surpresas com uma qualidade destas. O desfile de sucessos continuou: Send Me An Angel, Wind Of Change, Black Out e a épica, grandiosa, Big City Nights. “Goodnight, Lisbon!” – despediu-se então Klaus. Mas, bem o sabemos, os artistas adoram estas partidas.

O público bateu palmas, chamou-os de volta e eles regressaram com as duas grandes balas que faltavam: Still Loving You e, para deixar tudo em cinzas, Rock You Like A Hurricane. Foi um concerto seguro? Sim. Foi incrível? Inegavelmente. Regressem sempre!

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