Uma vez Pink Floyd, sempre Pink Floyd: Roger Waters na Altice Arena

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© Igor de Aboim

O serão prometia uma viagem no tempo e um desfilar de êxitos dos grandes percursores do então chamado rock psicadélico, os Pink Floyd.

Com duas noites esgotadas há já largos meses, era esperada com grande expectativa o regresso de Roger Waters, um dos mentores e frontman dos Pink Floyd, a solo nacional. Como é hábito Roger não defraudou os 20 mil seguidores presentes na primeira noite.

Assistir a um concerto de Roger Waters ou dos Pink Floyd nunca foi e continua a não ser, assistir a um simples concerto de música. Tal como afirmou em entrevista, Roger Waters desenvolveu um teatro rock. E é isso mesmo que é apresentado: um espetáculo de música, luzes, cenários e projeção de imagens absolutamente magnifica.

O primeiro set do concerto apresenta-nos três temas do seu último álbum, com destaque para “The Last Refugee” com uma mensagem fortíssima e um vídeo projetado com imagens impactantes e um rol de temas históricos, como “Time” , “Welcome to the Machine” , “Wish you were here”, “Breathe” e, claro, o êxito “Another Brick in the Wall”, que é cantado com um coro de crianças do Centro Social e Comunitário da Flamenga. “These are your children and they are beautiful” diz Roger Waters.

© Igor de Aboim

Depois de uma pausa para repor energias, o segundo set começa com uma enorme estrutura a descer do topo do pavilhão em direção às cabeças do público da plateia. Dessa estrutura é projetado todo o cenário de um dos álbuns mais icónicos da banda: nada mais nada menos que “Animals”, incluindo um pig voador. Ouvem-se sons de helicópteros, animais, explosões por toda a sala transportando-nos para um cenário absolutamente esmagador. É agora hora de nos deliciarmos ao som de “Dogs”, Pigs”, “Money” e “Us and Them”. Tudo isto acompanhado de uma forte carga política, tal como desde sempre Roger nos habituou. Desde mensagens levantadas pelo próprio onde se podia ler, “Pigs rule the world” e “Fuck the Pigs”, até várias menções a Trump projetadas atrás do palco, o fator político dos concertos e de crítica social são uma das suas imagens de marca.

É um Roger visivelmente emocionado com a receção portuguesa que se dirige ao público, antes do encore, mais uma vez apelando a um mundo melhor onde prevaleça o amor. No encore decide trocar a musica “Mother” pelas faixas “Wait for her”, “Oceans Apart” e “Part of me Died”, todas do último álbum, recebidas com grande entusiasmo pelo público.

Estava na hora da despedida e que melhor despedida senão escutar a belíssima “Comfortably Numb” cantada em uníssono por toda a sala.

Sem dúvida uma noite memorável e de celebração de uma verdadeira Instituição.

© Igor de Aboim

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