Valete é rap puro. E o Iminente adora sentir isso – Dia 2

Valete apresentou as novas músicas e fez questão de relembrar todos os rappers que começaram com ele o movimento em Portugal.

Eram 20 horas em ponto quando, de repente, o vídeo do Palco Outdoor começou a transmitir imagens onde podemos ver uma sequência de imagens nas ruas com desconhecidos e outros bem conhecidos como Sam The Kid ou Slow J. Mas ali, estava tudo à espera do mesmo. Valete subiu a palco com mais três elementos da sua crew e começou logo por rebentar a escala.

© Joana Pereira

Começou o espetáculo com parte da nova música “O Primeiro MC Português” e rapidamente partiu para uma mistura entre outros novos sons e aqueles que todos sabem de cor de há 20 anos para cá. “Subúrbios”, “Canal 115”, “Fim da Ditadura” ou “Roleta Russa” deram boas memórias a todos os fãs do rapper que estavam ali presentes e muitos propositadamente no festival para o ver. Quanto a novos temas, também cantou “Rap Consciente”, “Samuel Mira” e mais uma que ainda não saiu nas plataformas online, com uma batida mais suave mas sempre, sempre com as palavras certas.

Pelo meio, Valete agradeceu e disse que o Iminente era o sítio certo para representar o rap do movimento. Face a isto, mostrou mais uma vez entre músicas uma homenagem a Marielle (a quem Vhils dedicou um mural em pleno Panorâmico de Monsanto) onde pedia justiça. E, mais tarde, ao som de “Feels Like Summer” de Childish Gambino, aparecendo em vídeo todos os rappers que ele idolatra em Portugal: dos mais velhos Sam The Kid, Xeg ou Dealema para a nova fornada como Slow J ou Papillon. Todos tiveram direito a uma homenagem por fazerem parte do movimento. O movimento do rap puro. E o Iminente adora sentir isso.

© Joana Pereira

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Mas bom, falemos do resto do dia. O dia estava soalheiro, o calor apertava e a hidratação era necessária: cervejas para muitos, cidras para alguns e água para muitos poucos. Estava feito o caminho para mais um grande dia de Festival Iminente.

Assistimos ao primeiro concerto no Palco Outdoor. Loreta, um rapper luso cabo-verdiano, trouxe a energia necessária para que os festivaleiros entrassem no ritmo de rap mais pesado que o dia prometia. A cada música, Loreta chamava a maioria das pessoas, mais acanhadas, a chegarem-se mais perto do palco para sentir a “cena”: com ele, o seu DJ que também arrebatou a escala com misturas que incluiram Skrillex e outros sons do género, mas com cunho próprio. Um concerto bem conquistado.

Saltamos rapidamente para o Palco Cave, onde Fumaxa jogava em casa: sala escura, som pesado, pessoas em danças desconcertantes entre luzes roxas. Uma vibe única que faz claramente do Iminente um festival à parte.

De volta ao palco principal, e com um final de tarde com o sol a pôr-se atrás das árvores, estava Keso a atuar. O rapper de Matosinhos não jogava em casa mas notou-se rapidamente que muitas das pessoas do público eram fãs do artista, cantando e levantando os braços em profundo apoio às barras de Keso.

Já depois do concerto de Valete a barriga dava horas e pedia alimento. Dirigimo-nos à sala da restauração e por lá ficamos muito tempo, não fossem o tamanho das filas bem exagerado.

Depois só tivemos tempo de espreitar o concerto dos norte-americanos Kool G Rap e a batida de YETI OUT. Mais casa cheia no primeiro do que no segundo dia, mas sempre com as vibes certas.

© Joana Pereira

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© Joana Pereira

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O último dia de Iminente reserva-nos Carlão, Gisela João, Fogo Fogo e tantos mais. É talvez o dia mais “comercial” mas será certamente especial.