Anunciada como “o segredo mais bem guardado da música portuguesa”, MARO estreou-se no Capitólio com casa cheia, na noite que marca o seu primeiro grande passo no território musical português.

Texto: Diogo Fernandes | Fotografia: Melissa Vieira

Plateia esgotada no Capitólio. O burburinho ecoa na sala até as luzes baixarem e se fazer silêncio para MARO e a sua guitarra. O mundo da jovem de 23 anos, que vive atualmente em Los Angeles, começa a ser desvendado mas não sem antes desabafar que anda “nervosa há uma semana”. Quebrado o gelo, os primeiros versos de “Deixa” fazem prever uma noite de imersão numa voz única e quente. “Fecha bem os olhos e tenta desligar. Põe a mão no peito, sente o respirar”.

O concerto divido em três atos (ou volumes, como o seu trabalho discográfico lançado este ano, disponível apenas nas plataformas digitais) mostrou Mariana Secca, de nome artístico MARO, em canções carregadas de melancolia numa voz tão especial como há muito não se ouvia ou talvez nunca se ouviu. Ainda na primeira paragem no seu universo escutou-se “O Que Será De Ti” e “Not Ready to Say Goodbye”, em dueto com a irmã Matilde, que criou a atmosfera para o tema “Avô” – um original não editado – escrito há poucas semanas, em memória da pessoa que mudou a sua vida para sempre.

A meio alinhamento surge Carolina Deslandes. Depois de “Adeus Amor Adeus” – tema da “Casa” de Carolina -, foi tempo de cumprimentar o público e contar como se conheceram. “Descobri-a em vídeos na internet e sabia que havia ali uma estrelinha e que o lugar da Mariana era em salas como esta, cheias até ao teto”, confessa com ternura a agora fada madrinha de MARO em Portugal. Três dias depois de ganhar coragem – e com um alto “nível de maturidade” – uma mensagem via Instagram chegou e com ela o convite para cantarem juntas. Seguiu-se “Não Me Deixes” – dueto presente no álbum de Carolina, resultado desse convite – e “Páro Quando Oiço o Teu Nome” – capítulo do volume II de MARO e a canção preferida de Carolina Deslandes.

A terceira parte do espetáculo, com temas do volume III, trouxe mais destaque aos músicos – o energético Cami, na bateria, Manel Rocha, na guitarra elétrica e Mário Franco, no baixo elétrico – que acompanharam a cantora na sua caminhada mais animada, que celebra a descoberta de querer viver para a música. Fazem parte “Dear Young Me”, uma carta aberta ao passado, a bússola “The Way to Live Life”, “Will I Regret It”, a sua preferida e “P’ra Onde Vai O Tempo”, uma jornada até às sonoridades brasileiras.

Aparentemente terminado o concerto, o humor de MARO toma lugar. ”Ainda não sou uma grande artista portanto posso dizer-vos que vamos sair e voltamos já para o encore”. Entre risos e aplausos, o regresso deu-se com “Flying to LA” que teve, recentemente, um vídeo partilhado nas redes sociais onde MARO canta com a irmã num local peculiar. “Falta só a banheira”, outro momento que prende, mais uma vez, a plateia à personalidade da artista. Com o arrumar da guitarra, o tema “Show Me” mostrou a liberdade e o ritmo de Mariana e da sua banda. O público, em apoteose, não a deixou escapar e o verdadeiro e inesperado encore aconteceu apenas em voz e guitarra com o tema “It Will Get Better”, dedicado à sua mãe.

No final, muitos procuravam um autógrafo, entre grupos de familiares, amigos e músicos, onde Ana Bacalhau, Ana Moura e Luísa Sobral também marcaram presença para apoiar e dar os parabéns à jovem cantora lisboeta que acabara de se estrear para o grande público.

Criada numa família onde a música era oxigénio, Mariana terminou em dezembro de 2017 os estudos na Berklee College of Music, em Boston, Estados Unidos da América. Durante os três anos de curso criou o projeto Berklee People – várias temporadas, qual série televisiva – onde dava a conhecer talentos de todo o mundo que com ela interpretavam artistas como Tom Jobim, Drake, Pablo Alborán, Sérgio Godinho e até a banda sonora d’ “A Pequena Sereia” da Disney.

Com o concerto no Capitólio é agora a vez de Portugal (e do mundo inteiro) conhecer o talento, singularidade e magia da intérprete da voz de cristal.

MARO, thank you for your music.

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