Emoção nos The National e aplausos aos Parcels – o 1º Dia do Vodafone Paredes de Coura

A 27ª edição do Vodafone Paredes de Coura arrancou a todo o gás - muitos estavam para assistir a The National, mas a dança 70’s dos Parcels obrigou-os, pelo menos, a dividir a euforia.
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Exaltação para o primeiro dia do grande festival mais a norte do país. Tanto os passes gerais como os bilhetes para o primeiro dia estavam esgotados, o que já só por si antecipava uma enchente estrondosa.
Primeiro tendas no ar, campistas a viver os primeiros momentos do Couraíso (e talvez recordando momentos de anos passados). Na passagem de algumas tendas, ouviam-se músicas deste dia: Boogarins, Parcels ou The National. Mas foram os portugueses Bed Legs a ter o privilégio de iniciar mais uma edição.

O sol estava forte, comprometedor, e isso deixou a maioria dos corajosos a optar pelas sombras enquanto observava o rock n’roll frenético. Os Bed Legs são uma banda de Braga, cidade não muito longe de Paredes de Coura. Isso deu-lhes a oportunidade de jogarem em casa e trazerem muitos dos seus “adeptos”
às primeiras filas.

 

© Igor de Aboim

Bed Legs Galeria Completa

A voz (Fernando Fernandes), a guitarra (Tiago Calçada), o baixo (Hélder Azevedo), a bateria (David Costa) e o teclado (Leandro Araújo) traduziram-se em musicalidades fortes, mesmo propícias para os saltos
cavalgantes dos festivaleiros mais efusivos. Fernando Fernandes relembrou também os tempos em que vinha para o Paredes de Coura, sempre com muitos dias de antecedência, e fechou o concerto a dizer a quem assistia que para todos os cinco, aquele era um sonho que já ambicionavam há muito. Os Bed Legs levam
esta edição de 2019 no coração.

Este primeiro dia de festival tinha como curiosidade o facto de não ter atuação de bandas no palco secundário (apenas contou com a parte de DJ dos Kokoko e de Nuno Lopes), deixando todos os festivaleiros virados para o concerto seguinte: o de Julia Jacklin.

Quem estava sentado continuou sentado, muitos dos que chegaram sentaram-se e só os maiores fãs é que se colaram às divisórias do palco principal e público. E não tem mal nenhum, porque a música de Julia abranda
a alma. Com um estilo pop mais virado para o indie, entrando também um pouco no universo folk, a australiana partilhou toda a sua qualidade artística, com canções dos álbuns Phantastic Ferniture (2018) e Crushing, lançado este ano. É bom poder sonhar a contemplar o denso relvado verde da encosta, mas com a voz de Julia Jacklin o momento torna-se perfeito.

A noite começava a descobrir e os Boogarins, brasileiros de influências de rock psicadélico (um pouco a fazer lembrar os Capitão Fausto que também vão atuar no festival), iniciaram a sua jornada musical perto das
21h30.

 

© Igor de Aboim

Boogarins Galeria Completa

A banda que até tinha feito um pequeno showcase ao início da tarde, nas já conhecidas Vodafone Music Sessions, agora atuava para uma enchente (o público começou a compactar todos os espaços do festival). Com alguns álbuns na bagagem, os Boogarins têm muito para dar sempre que vêm a Portugal. Felizmente isso acontece com alguma regularidade. Nesta 27ª edição do Vodafone Paredes de Coura, os Boogarins lançaram vários temas do novíssimo álbum “Sombrou Dúvida”. Não assombrou e muito menos sobraram dúvidas: o público do Paredes de Coura gosta de uma boa energia rock sem fronteiras.

Se há história para contar neste primeiro dia, esse texto tem de ser dedicado aos Parcels. A banda australiana atuava apenas pela segunda vez em Portugal (a primeira foi no Super Bock Super Rock onde foram atirados a
um palco secundário. Aqui tinham oportunidade de mostrar ao público português toda a energia que transmitem na sua eletrónica influenciada pelos anos 70 e 80.

Os cinco membros dos Parcels entraram a todo o gás, com vontade de fazer estragos e motivar todos os egoístas que continuavam sentados, que aquele ritmo merecia mais de todos. Assim foi! Na hora de concerto foram cativando cada vez mais pessoas. Mais cabeças mexiam, mais pés se soltavam e o ambiente, esse ia sendo transformado em boa energia – a mesma que os Parcels transmitiram em músicas como “Overnight” (o grande hit, celebrizado depois de uma colaboração com os Daft Punk), essa com novo direito no encore.

 

© Igor de Aboim

Parcels Galeria Completa

Os Parcels agradeceram em massa aquele ambiente vivido. Uma casa cheia, todos a dançar e muitas vezes com aplausos de quase um minuto fizeram deste concerto um dos mais especiais da carreira dos australianos, certamente.

Para último, aquilo que muitos dos festivaleiros estavam à espera: os cabeça-de-cartaz The National. Esta é uma daquelas bandas que entram na qualidade e crescimento do festival (a relembrar um pouco os Arcade Fire o ano passado). A banda norte-americana tinha estado presente no Vodafone Paredes de Coura em 2005, ainda a despontar as primeiras confirmações, e chega a 2019 como uma banda consagrada – um bocadinho ao encontro do que este festival cresceu ao longo dos anos.

Com o começo do concerto perto da 1h da manhã, a banda natural de Ohio, entrou com algumas das suas músicas mais líricas e introspetivas: Mr. November, I Need My Girl ou Fake Empire agigantaram uma atuação que já se perspetivava incrível. Matt Berninger continua com o seu charme, os outros membros também  rejuvenesceram com o tempo, e o público continua a adorar o country-rock mais alternativo, mesmo que isso aconteça 14 anos depois da primeira aparição. O Couraíso continua a ser um “cool spot” (como Matt referiu várias vezes) e com os The National o festival ganha ainda mais forma musical. Uma boa forma de começar esta 27ª edição.

 

© Igor de Aboim

The National Galeria Completa

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