Depois de ter passado por terras lusas no final do mês de Outubro os And So I Watch You From Afar estiveram no La Maroquinerie, em Paris.

É numa rua escondida do 20º arrondissement que, quase de maneira clandestina, entrava-se aos poucos naquele antigo atelier – onde outrora se trabalhava o couro – e que hoje junta jovens e graúdos na cave à volta do palco. Desde 93’ que são acolhidos aqui, no La Maroquinerie, os concertos mais independentes de Paris, por onde já passaram nomes como PJ Harvey, LCD Soundsystem e uns Coldplay de 2000. A noite começara cedo com os MINAB, antigos Man Is Not A Bird?, o shoegaze parisiense convidado pelos próprios senhores de Belfast, para aquecer aquelas almas condenadas à paixão eterna pela música. Souberam criar um ambiente bastante familiar e melancólico. Mas o povo ordenava mais e a noite não ficaria por ali. Os ânimos ansiavam cada vez mais, esmiuçando a paciência aos poucos. A sala enchia, ecoavam-se pequenos cantos aos deuses e viravam-se baldes de cerveja, bem ao estilo nórdico. A banda de Rory Friers apresentou-se ao público banhado de uma salva de palmas, assobios e corações aos saltos; desligaram-se as luzes, calaram-se as bocas e então rugiram as guitarras. A entrega do público foi instantânea, não houve cortejo nem seduções, cada acorde sugava qualquer forma de resistência. Num line-up elétrico e poderoso que revia as grandes baladas dos álbuns anteriores, os And So I Watch You From Afar mostraram-se tão jovens como miúdos saídos da garagem com uma energia contagiante de arrepiar todos os poros do corpo.  Contudo com a apresentação de musicas do novo álbum The Endless Shimmering, que foram acolhidas sem estranheza, mostraram que a maturidade é inevitável, e fizeram então um dos concertos mais quentes deste Novembro gelado… Texto e Fotos por Rita Santos As imagens possíveis do concerto: