O Vodafone Mexefest passou por Lisboa e não deixou ninguém indiferente. Foram muitos os espetáculos que ocorreram nas mais variadas salas da Capital.

1º Dia

Apesar do frio que se fez sentir em plena capital, a Imagem do Som marcou presença no 1º dia do Vodafone Mexefest, numa noite marcada por espectáculos de nomes como Washed Out, Surma, Manuel Cruz, Samuel Úria e Orelha Negra.

Coube aos norte-americanos Washed Out abrirem as hostilidades do Coliseu dos Recreios. O novíssimo “Mister Mellow” teve direito a uma primeira audição em solo português. O público português esteve atento à apresentação de “Burn Out Blues”, “Floating By”, Hard To Say Goodbye”. Não foi esquecida a electrónica que é característica a Ernest Greene nos discos anteriores, com “Within Without” e “Paracosms”. No final, a conclusão é consensual: seria um desperdício Ernest ter-se ficado pela profissão de bibliotecário!

A Imagem do Som fez uma primeira incursão ao Cinema São Jorge para escutar a jovem, talentosa e experimental voz de Surma. A multi-instrumentista mostrou que tem futuro no universo musical.

Nome que dispensa apresentações em qualquer cartaz nacional, Manuel Cruz com Nico Tricot, Edu Silva e António Serginho subiu ao palco do Teatro Tivoli BBVA sob uma enorme salva de palmas. O portuense apresentou temas da Estação e Extensão de Serviço, passando um pouco por novo material como “Ainda Não Acabei”, muito entoado entre os presetes. Manuel Cruz foi igual a si mesmo, energético, versátil, elevou a força das palavras ao expoente máximo, para agrado de um Tivoli que para além de atento, esteve com lotação esgotada.

Tal como a primeira, a segunda incursão no Cinema São Jorge por parte da Imagem do Som foi curta. Samuel Úria subiu ao palco com parte do alinhamento destinado a “Carga de Ombro”, o mais recente trabalho do português. “Aeromoço” fez a delícia dos presentes, a par da subida ao palco de Ana Bacalhau. Ana Bacalhau empolgou o público ao dar voz a “Só Querer Buscar”, tema que foi escrito por Úria e faz parte do disco a solo de Ana, “Nome Próprio”. O concerto terminou em coro – Samuel, o coro convidado, e claro, o público. Um bom espectáculo, especialmente se tivermos em conta que este foi agendado à última da hora, por cancelamento do concerto de Jessie Ware.

Para encerrar a noite, os Orelha Negra subiram ao palco do Coliseu dos Recreios. A banda preparou este concerto na “Casinha” dos Xutos & Pontapés e fez jus às pegadas que a banda de Zé Pedro deixou naquele palco no início do mês. Sincronizados, apresentaram músicas como “Parte de Mim”, “A Sombra”, singles do III Volume lançado em Setembro. “M.I.R.I.A.M”, “Throwback” foram alguns dos sucessos apresentados que levou o público a regressar a casa feliz.

2º Dia

Para o 2º dia de Vodafone Mexefest, o nevoeiro invadiu a Avenida da Liberdade. No entanto, a afluência ao festival fez-se sentir em maior número que no 1º dia.

Formados em 2008, os Cigarettes after Sex abriram a noite no Coliseu dos Recreios. A banda liderada por Greg Gonzalez aqueceu os presentes com os seus maiores êxitos internáuticos como “Dreaming About You”, "Nothing's Gonna Hurt You Baby”, visitando ainda “Sweet” o trabalho mais recente da banda que se fez ouvir com “K” ou ainda “Affection”, o tema mais entoado do concerto.

Com tanta variedade e oferta do festival, torna-se complicado passar por todos os espaços ao longo dos dois dias, quer para o público, quer para a imprensa. No Palácio Foz, Luca Argel mostrou um pouco do seu trabalho, enquanto a angolana Eva RapDiva mostrou um pouco do seu melhor rap no término do festival no Palácio da Independência.

De volta ao Coliseu dos Recreios, o público esperava com apreço os Everything Everything. “A Fever Dream”, disco lançado este ano, foi a base dum alinhamento que em uma hora de espectáculo não esqueceu os êxitos “Distant Past”, “No Replies” ou “Regret”, todas do álbum editado em 2015, “Get to Heaven”, talvez o trabalho até agora mais popular do grupo em 10 anos de carreira. No final, a satisfação entre o público era geral, num concerto onde a interacção banda-público foi visível a olho nu.

No Cine-Teatro, um dos nomes incontornáveis da música urbana portuguesa da última década, os “Allen Hallowen” estavam a fazer as despedidas do Capitólio quando a Imagem do Som chegou para encerrar o seu percurso no festival.

Em jeito de balanço final, se houve um concerto a sobressair dos restantes foi o dos Everything Everything. A energia em palco foi, sem dúvida, impactante, bem como os riffs de guitarra de Alex Robertshaw. Foi muito satisfatório ver Manel Cruz de volta à capital e surpreendente a adesão à terapia dos Cigarettes After Sex. Quanto à organização do evento, apenas algo a dizer: em 2018, a Imagem do Som estará lá de novo.

Até lá!

 

Dedicado à Ana Lopes e à Sandra Justo, duas fãs de Manuel Cruz e Cigarettes After Sex que ajudaram à cobertura do festival no local.

  Texto e fotografias de Diogo C Santos