No passado Sábado concretizou-se mais uma noite de sonoridades intensas, naquele que é considerado um dos espaços de eleição da comunidade portuense, cortesia da Promotora Sons em Trânsito.

A abrir o palco da sala principal do Hard Club, estiverem os Mueran Humanos, dupla germânica, já conhecida pelo público, que muito possivelmente assistiu a atuações dos mesmos, quer no contexto do Nos Primavera Sound (2016), quer no âmbito do evento Post-Punk Strikes Back Again. Contendo na sua bagagem o seu mais recente disco (segundo longa-duração), a sua audácia e mestria na composição de sons articulados com efeitos de luzes cativantes não escaparam à atenção de todos os que aqui se encontravam presentes e se propuseram a efetuar o wam-up na sua companhia. A eletricidade das suas composições e fonética sombria de Carmen Burguess, possibilitaram um excelente início de evento. Terminada a actuação dos Mueran Humanos, encontrando-se o público disperso pelo espaço, assistindo-se à chegada paulatina de mais pessoas, encontrava-se tudo a postos para receber a banda que motivou a deslocação a estas instalações. Eis que, pouco depois das 22H00, mediante um decréscimo teatral das luzes de palco, sobem ao mesmo The Horrors, quinteto britânico composto por Faris Badwan (vocalista), Joshua Hayward (guitarrista), Tom Furse (teclista), Rhys Webb (baixista) e Joe Spurgeon (baterista). A idolatria que o público português sente por estes é quase que sintomático da sua assiduidade para com essa mesma coletividade. Munidos de mais um longa-duração (“V”), lançado escassos meses antes desta sua vinda, The Horrors marcaram o ponto de forma soberba, tal como, de forma reiterada, o tem vindo a fazer sempre que se posicionam diante os fãs que não prescindem de desfrutar das suas performances. Hologram foi o tema seleccionado como ponto de partida, tema esse que abre precisamente o disco V. Seguiu-se Machine, primeiro single lançado, com referência a V, de onde emergiram fortes vibrações industriais, imbuídas de tremores noise e shoegazianos, sonoridade essa que extrapolou da plateia ritmos mais agitados e frenéticos. Sem nunca as luzes de palco atingirem directamente os seus rostos, assim se preservando uma certa mística e negrume na sua performance, e havendo as mesmas sido trabalhadas de forma a enaltecer os temas tocados, seguiram-se outros como Who Can Say, In and Out of Sight e Mirror’s Image. Sea Within a Sea, faixa pertencente ao disco muito aclamado Primary Colours foi um dos momentos altos da noite, do qual partilharam os fãs que os acompanharam nas lyrics. Weighed Down, Press Enter to Exit e Endless Blue, de igual jeito, compuseram o repertório delineado pelos britânicos. Antecipando, com fundamento para tal, o desejo de muitos os que se decidiram a reservar a sua noite para passá-la na companhia de The Horrors, a banda alocou Still Life, tema integrante do longa-duração Skying, como forma de, aparentemente, epilogar a sua actuação. Assistindo-se a uma fusão entre banda e público, as lyrics do tema foram entoadas em uníssono, magistralmente guarnecidas com efeitos de luzes, e coloração das mesmas, ideais para cumprir o propósito pretendido. Não obstante abandonarem temporariamente o palco, a banda regressou, tocando o remanescente da setlist preparada para este concerto. Ghost, por muitos considerada uma das grandes e mais efervescentes faixas aqui tocadas, e Something to Remember Me By encerraram, em definitivo, a sua performance.   SetList Hologram Machine Who Can Say In and Out of Sight Mirror's Image Sea Within a Sea Weighed Down Press Enter to Exit Endless Blue Still Life Encore: Ghost Something to Remember Me By