O céu não está estrelado lá fora, mas está estrelado cá dentro. Frio cortante nas ruas da noite da invicta, temperatura agradável na sala 1 do Hard Club a minutos das dez da noite com uma sala pouco preenchida (que depois aqueceu, e se que aqueceu).

Instantes depois, a sala completa-se, as luzes apagam-se, as orelhas estão a postos: “Viva Ela” abre as hostilidades do grupo, no Porto. O céu não está estrelado lá fora, mas está estrelado cá dentro. Antes, à volta, ao lado, além da música: um espectáculo de luzes e projeção de vídeo irrepreensível, brilhante. Que som! Poderia ser expectável uma incapacidade de recriação dos trabalhos de estúdio para o palco, mas não, o som estava como tinha que estar. Límpido, puro, autêntico. O público sabia ao que ia. Não questiona, ouve. Não vê, sente. Não canta, dança. Entrega-se ao universo para onde cada um dos cinco músicos magníficos os quer levar. E somos levados para segunda música da noite, “OST” (do último álbum). Ligam-se as ventoinhas da sala. Vence o calor rítmico e humano da sala. Depois de “Última Volta”, ficamos prontos para “Ready (Redenção)”. O tema é logo reconhecido aos primeiros samples: é momento de tirarmos as camisolas, vamos fechar os olhos, vamos dançar. “Throwback” à canção de 2012 da banda que dá as boas noites à plateia composta e animada. João Gomes ao lado direito do palco e Dj Cruzfader ao lado esquerdo, sem cap (boné). Com cap, e ao centro: Sam The Kid, Fred Ferreira e Francisco Rebelo. “Apolo 70” leva os músicos ao auge da transpiração, Fred arregaça as mangas. Tudo pronto para descomprimir: “Santa Ela”. “Duas Caras” (talvez as duas que integram a capa do último álbum dos Orelha Negra) têm coisas a dizer. Nós ouvimos. Ouvimos um refrão descontrolado, desconcertante e desmedido. E a seguir, que groove, que baixo, que teclas... São só eles, Orelha Negra. O público sorriu, o público quer, os Orelha deram: “M.I.R.I.A.M.” é clássico reconhecido do grupo. “A Sombra” e “Parte de Mim” encerram a performance da banda na comemoração dos 20 anos de vida do Hard Club. Encerram? E o encore? Sim encerram, o único defeito de uma noite brilhante de música: não haver mais. O que é bom tem que ter um fim. Mas tão cedo? Estamos à espera do encore, queremos mais. Obrigado Orelha