XUTOS & PONTAPÉS – POR QUE NÃO?

A vida sem música é só conversa. Por isso, com o desconfinamento, a música volta, aos poucos, a invadir as grandes salas deste país. O Teatro Tivoli BBVA acolheu os Xutos & Pontapés para um espectáculo electrizante.
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A beleza do teatro quase centenário perde-se, em parte, nesta ‘nova realidade’. Dos 1 149 lugares, apenas 500 foram disponibilizados e somente 300 ocupados. Mas os Xutos & Pontapés estavam com ‘sede’ de voltar aos palcos. E o seu público mais fiel de os ouvir.

Xutos e Pontapés © Jorge Pereira

“A maior parte das caras que vejo são-me tão conhecidas, obrigado”, exclamou Kalú durante o espectáculo. Espectáculo esse que, no seguimento da XL Tour, não apresentou alterações demais. O concerto começou com “Duro”, prosseguiu em “Alepo”, mas foi em “Enquanto a Noite Cai” e “N’América” que os presentes se fizeram ouvir em coro pela primeira vez.

Daí até à surpresa da noite foi um pulo: “Negras como a noite”. Face ao actual contexto, seria difícil deixar este tema de fora. Mas mais difícil ainda foi tocá-lo, visto que é daqueles temas que são guiados, do início ao fim, pela guitarra de Zé Pedro. Mas os fãs não se importaram e uniram-se à banda de Tim, uma vez mais, em “Homem do Leme”, “Circo de Feras” e “Não Sou o Único”.

Xutos e Pontapés © Jorge Pereira

Na hora de abandonar o palco, as trezentas vozes presentes no teatro juntaram-se, numa apoteose e numa energia como há muito não se via num concerto de Xutos & Pontapés. Queriam mais. Apesar de assistir a um concerto eléctrico sentado não ser o mais usual ou confortável, o público estava realmente a apreciar a companhia de João Cabeleira, Kalú, Gui, Tim e Zé Pedro. “O Zé está sempre presente”, afirmou Tim à no encore. Seja em pensamento, seja nas suas guitarras gravadas, seja na escrita de letras
e músicas, como foi o caso de “À Minha Maneira”.

Seguiu-se “Contentores” e, à entrada da última faixa da noite, João Cabeleira replica o comentário de um fã, dirigindo-se ao microfone e aconselhando Tim a tomar Memofante (suplemento alimentar que ajuda a preservar a memória). Todos os presentes soltaram umas valentes gargalhadas. Tudo isto porque Tim se tinha enganado na letra das duas músicas anteriores. Mas não houve espaço para enganos em “Casinha”.

Xutos e Pontapés © Jorge Pereira

A banda quadragenária deu um concerto de puro rock n’roll, provando que este estilo de música serve a qualquer sala, em qualquer circunstância. Há que fazer jus a um facto: o som da sala da Avenida da Liberdade esteve, do início ao fim, maravilhoso. Tim apresentou-se com uma boa voz e Kalú estava verdadeiramente feliz. À saída, ficou uma certeza: os Xutos & Pontapés estão de muito boa saúde. A alegria da banda em subir ao palco e do público em vê-los foi arrepiante e comovente. Xutos & Pontapés, por que não?

Alinhamento do concerto:

  1. Duro
  2. Alepo
  3. Fim do Mundo
  4. Às Vezes
  5. Enquanto a Noite Cai
  6. N’América
  7. O Falcão
  8. Salve-se Quem Puder
  9. Avé Maria
  10. Negras Como a Noite
  11. Mar de Outono
  12. O Que Foi Não Volta a Ser
  13. Homem do Leme
  14. Circo de Feras
  15. Não Sou o Único
  16. À Minha Maneira
  17. Contentores
  18. Casinha

Diogo Santos escreve de acordo com a antiga grafia.

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