AS 50 SUSPEITAS de Manuela Hora de Carvalho

AS 50 SUSPEITAS de Manuela Hora de Carvalho
Aflige-me o silêncio, demasiado silêncio, por isso não entendo o tempo e o espaço sem música. A música que nos situa nos momentos e nos conta os espaços, com sons, com ritmo, com tempo.

Créditos fotográficos: Paulo Pimenta

Aflige-me o silêncio, demasiado silêncio, por isso não entendo o tempo e o espaço sem música. A música que nos situa nos momentos e nos conta os espaços, com sons, com ritmo, com tempo. O tempo do crescimento individual que não se separa da música que ouvimos, da emoção que nos invade quando soam os primeiros acordes, que nos transporta aos espaços onde passamos, ainda que fugazmente, ou onde criamos raízes.

Esta lista, que poderia chama-la de algumas 50, não é mais do que uma parte da viagem sonora que me acompanha há décadas, em tempos com um vulgar radio/leitor portátil de cassetes Sanyo, que me levava a todo lado, e agora num qualquer dispositivo em formato não palpável, que ocupa tão pouco espaço, e leva tanto tempo. E é essa dimensão de música sem fim que me desperta sempre a curiosidade, como um pulsar vital, como se o bater de uma música fosse o bater do coração.

Talvez a emoção mais forte aos 13/14 anos, com a música, seja aquela que me fazia acreditar que o melhor ainda estava para vir, como se o mundo, o dia, por mais cinzento que fosse ou custasse a passar, me aproximava mais de uma identidade, tão abrangente quanto os meus ouvidos aguentassem.

Horas a ouvir o Som da Frente, a Rádio Cultura, os programas de autor da Rádio Atlântico e todas as piratas que a antena conseguisse apanhar, a folhear religiosamente o Blitz e uma ou outra fanzine que ia apanhando. E a noite, clara de celebração, em plena peregrinação musical, passava-se no Batô, pelo Porta Branca, Captains, na Indústria, pelo Mercedes, no Aniki-Bobó, no Meia-cave, no Bibó Porto, no Loco Mosquito.

E o melhor veio mesmo, mais cedo ou mais tarde, pelos palcos que olhava, mais na grade do pit ou mais ao fundo, e que alegria adolescente foi reencontrar o Johnny Rotten/Lydon, um reallity sobrevivente com maneiras de cavalheiro, o Lux Interior dos The Cramps antes do colapso, uma conciliadora Patti Smith em glória,  Lee Ranaldo e a miúda da banda numa noite fria, Mike Scott com menos Tawny,  Dead Can Dance na floresta urbana, Peter Murphy à porta do hotel  Infante Sagres a retirar-se como cinderela, a Naomi dos Galaxie 500 /Damon and Naomi a vender merchandise com uma latinha onde guardava os escassos euros, ou o Peter Hook, a quem em tempos perguntei, em atmosphere : ”fancy a pint?”

E o melhor veio mesmo, e que fácil é agora descobrir aquilo que sei que vou gostar, a clicar nas editoras, a ler nas páginas das intermináveis listas às postas, sem estar meses à espera do Natal e do aniversário para ir à Tubitek e à Bimotor e agarrar o que sonhava, sem ter que adiar e aguardar a vez para ouvir o vinil rodar na loja.

E o melhor estava mesmo lá atrás e o melhor ainda está mesmo lá à frente. Nos dias e nas noites. Por isso a melhor parte da semana, no fim, é onde se ouve mais música, quando a conversa sustem para ouvir aquele som, quando se pousa o copo para o corpo seguir o ritmo. Por isso a melhor parte das minhas férias, há anos, é nos recintos de festivais nortenhos, onde o tempo suspende, onde a única preocupação será escolher, na sobreposição de horários, aquilo que quero gravar na memória, e o disco cerebral é exigente mas já começa a ter os muitos “tera” contados.

E o melhor virá dentro de semanas, meses ou anos, onde ao vivo, na prova de fogo de olhar um palco, naqueles espaços, naqueles tempos, encontrarei outra vez aquela emoção de que o melhor ainda está para vir, estejamos nós todos aqui para ouvir.

Manuela Hora de Carvalho

ÁREA SUSPEITA by
SUSpeitos+mr+november-6

A Cosmic Burger faz reset

Tendo em mente o mote do 2020 World Economic Forum, a Cosmic Burger decidiu anunciar o seu próprio great reset – a necessidade de espalhar esta nova mensagem numa tentativa de pôr fim a equívocos sobre aquilo que é.

NOTÍCIAS SUSPEITAS

Quarto INDIECASSOM na Veep Radio

Amanhã às 22:00 o Pedro Brás Marques apresenta “Indiecassom”, o magazine mensal d’Os Suspeitos na Veep Radio, com os novos trabalhos dos Dry Cleaning, London Grammar, Dinosaur Jr., Kero Kero Bonito, Ratboys e muitos mais.

21º SUSPEITOS DO COSTUME na Veep Radio

No 21º episódio dos Suspeitos do Costume, o Pedro Taveira interroga-se sobre se a relação entre a música e a fotografia será mais íntima do que imaginamos.

Terceiro INDIECASSOM na Veep Radio

Julien Baker, Jay-Jay Johansson, Arab Strap, Flyying Colours, Alice Phoebe Lou, Cave & Ellis, entre muitos outros no novo Indiecassom, apresentado pelo Pedro Brás Marques.

HEYPORTO VIBES na Hey Porto

‘HeyPorto Vibes’ é a coluna assinada pelo Suspeito Pedro Taveira em parceria com o jornal HeyPorto.
Saiu agora o 6° episódio.

AS 50 SUSPEITAS de Manuela Hora de Carvalho

Aflige-me o silêncio, demasiado silêncio, por isso não entendo o tempo e o espaço sem música. A música que nos situa nos momentos e nos conta os espaços, com sons, com ritmo, com tempo.

AS 50 SUSPEITAS de Paulo Barreto

Pegar na peça em bruto e desmontar, desconstruir, dissecar, baralhar e voltar a dar… Apreciar cada detalhe, cada beat, cada riff, cada loop, cada kick…

Menu

Bem-Vindo(a)!