#Confissões de um Suspeito – Vol. 15

SUSPEITO MIGUEL ORTIGÃO
A vida sem música (e músicos como Captain Beefheart) seria um erro.

São, pelo menos, 5 (+ 1) as razões para ouvir e gostar de CAPTAIN BEEFHEART.

1. “SAFE AS MILK” (1967):

A obra de Captain Beefheart foi um dos nutrientes que esteve na base do crescimento e desenvolvimento artístico de cada um dos projectos de músicos como Nick Cave, Tom Waits e The White Stripes, só para referir alguns. O que nos leva a agradecer, e a dizer “I’m Glad”.

2. “STRICLY PERSONAL” (1968):

Don Glen Vliet (nome de baptismo de Captain Breefheart) criou um mundo próprio. Um universo estritamente pessoal e original: a mistura de géneros musicais (free jazz, rock, soul , blues…),  tempos inusitados , letras surrealistas, ritmos pouco convencionais… “Trust Us”, tivemos em Captain Beefheart algo de novo e original na música.

3. “CLEAR SPOT” (1972):

Um ponto é certo: foi uma obra em que a liberdade artística constituiu uma das principais preocupações do seu criador. Uma obra que não se preocupou em agradar ao público, mas sim a um conceito. Don Glen Veil teve formação artística, e se nos primeiros anos a sua paixão foi a escultura, acabou a vida isolado, com a sua mulher, numa caravana no deserto de Mojave, a dedicar-se à pintura. Como cantou, “My Head is my Only House Unless it Rains”.

4. “THE SPOTLIGHT KID” (1971):

Uma voz e capacidade vocal únicas – a potência da sua voz, intervalo de 4 oitavas e meio, destruiu um microfone Telefunken na gravação da música “Electricity”, do álbum “Safe as Milk”. Uma capacidade de criação e composição notáveis – sentou-se ao piano, que mal dominava, e em 8 horas meia criou as 28 músicas que compõem o álbum “Trout Mask Replica”. E   uma criatividade e inovação surpreendentes – apesar de não saber como iria transpor e tocar as suas composições de piano, na bateria e nas guitarras da banda, dedicou um ano a ensinar e a ensaiar os músicos para gravarem os temas do disco “Trout Mask Replica”. Não era só “Blabber n’ Smoke”.

5. “UNCONDITIONALLY GUARANTED” (1974):

Uma música com características inovadoras, per si, não foi, nem é, garantia incondicional de sucesso imediato. O tempo encarrega-se de recuperar e de dar o merecido valor a todas as obras visionárias. E  foram precisos alguns anos, como se o tempo fosse uma “Lazy Music”, para que a obra e a musica de Captain Beefheart  alcançassem o seu devido reconhecimento.

(+) A obra prima de CAPTAIN  BEEFHEARTTROUT MASK REPLICA” (1969):

Advertência aos espíritos mais sensíveis: durante as gravações deste álbum, em casa de Don Glen Vliet, este solicitou à editora a presença permanente de uma pessoa que ficasse encarregada de salvaguardar a saúde das árvores do bosque que rodeava a propriedade, uma vez que achava que o som que se ia produzir e gravar dentro da sua casa podia ter consequências nefastas nas espécies existentes.

Further Than We’ve Gone… E foi muito. Obrigado Don Glen Vliet.

A vida sem música (e músicos como Captain Beefheart) seria um erro.

Miguel Ortigão

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