Alice Phoebe Lou, “Glow”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Um belo disco, cheio de suaves, melancólicas e introspectivas canções, usando a música como expiação em vez do divã do psicólogo.

Nascida na África do Sul, cidadã do mundo, Alice Phoebe Lou estacionou em Berlim, onde o seu processo criativo continua a germinar canções atrás de canções. Aos 27 anos, “Glow” é o seu terceiro disco, se não contarmos EPs e registos ao vivo. Acabou de sair, ainda e sempre por conta própria, sem recurso a editoras e gravado num sistema analógico.

Alice Phoebe Lou | Glow | 2021

Na apresentação do disco, Alice foi bastante clara: é um disco de canções de amor, em que cada composição expressa a sua vontade de dizer algo, de se libertar, porque retratam o seu arco vivencial desde a alegria da paixão até à desilusão do fim da relação. Por isso, diz, as músicas e as letras brotaram livremente, sublinhando essa necessidade de “to blow off steam”… Porque é preciso “morrer” para poder “renascer”, como mostra a foto da capa, com a autora de “Paper Castles” em posição fetal.

No melhor estilo crooner, Alice começa com “Only When I”, serenamente afirmando “You didn’t teach me, I taught myself through you / You didn’t heal me, but I healed from the things that you do”. Ou seja, acha que atravessou o deserto emocional e emergiu mais sapiente, atingindo a Luz, a que chama de “Glow”: “I am smiling, I am screaming, I am glowing from inside / Do I dare to feel this feeling?”. Mas a verdade é que esta calma esconde indefinição e dor. Por vezes, Alice parece afirmar que a experiência amorosa não foi em vão, muito pelo contrário, porque aprendeu que dois podem ser um: “the world don’t matter / When we’re looking at each other” (“Dusk”). Já em “Drive by”, conclui que “Oh the loss of you, the loss of you / Will haunt me through and through”. Pois é, no amor, nada é preto e branco e as feridas dos ressentimentos custam a sarar. Daí a necessidade de alerta: “Don’t touch me, don’t even look at me / I’ve got laser beams coming out my eyes” (“Dirty Mouth”). Tem calma, rapariga, que há mais marés do que marinheiros.

Um belo disco, cheio de suaves, melancólicas e introspectivas canções, usando a música como expiação em vez do divã do psicólogo. Para descobrir o brilho de “Glow”, seria perfeito escutá-lo ao vivo. E a verdade é que estão agendados concertos em Lisboa e Guimarães para o final do próximo mês de Outubro, assim consigamos sair deste buraco para onde caímos, juntamente com esta Alice

Pedro Brás Marques

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