Dry Cleaning, “New Long Leg”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
“New Long Leg” é um belíssimo disco de estreia para a “machine” desta Florence e posiciona-se para ser uma das estrelas de 2021.”

Eis que chegou o muito aguardado disco de estreia do quarteto londrino Dry Cleaning, após um par de EPs que viraram os holofotes do público e da crítica para o seu trabalho. E não restam dúvidas: “New Long Leg” é um belíssimo trabalho e posiciona-se para ser uma das referências de 2021.

Dry Cleaning | “New Long Leg” | 2021

O som é claramente rock, com a guitarra de Tom Dowse a comandar as operações, construindo uma sonoridade próxima do post-punk de bandas como os Wire, por exemplo, mas também não deixa de ser verdade que, por vezes, o fantasma do baixo de Peter Hook pareça andar a vaguear por ali… Já na vocalização, optaram por uma certa originalidade. Florence Shaw não canta, antes declama ou recita as letras, naturalmente sincronizadas com a música – e que bem o faz! Com as devidas distâncias e diferenças, evocam algo semelhante ao que Baxter Dury propõe num registo mais electrónico, ou, noutra órbita, a forma “spoken word” muitas vezes usada por Lou Reed e Laurie Anderson. A diferença está no tom. Florence vai soltando palavras e frases com o mínimo de entoação, quase como se estivéssemos a ouvi-la pensar… O resultado é excelente.

Obviamente que, face a um registo destes, as letras merecem atenção redobrada, mas alerte-se que estamos longe do estilo narrativo e fluido dos “storytellers”. As frases são caóticas, enviando-nos os sentidos para todo o lado, tal como quando se observa de perto um quadro de Jackson Pollock e todo aquele cruzamento de linhas policromadas obriga os nossos olhos a dispararem em mil direções. Tudo sem nexo ou sentido aparente, qual obra niilista ou…punk. Aliás, se dúvidas houvesse, Florence esclarece-as logo no pujante tema de abertura, “Scratchcard Lanyard”: “Do everything and feel nothing!”. Notável o diálogo minimal entre o baixo e a bateria em “Strong Feelings” prenunciando uma vibrante guitarra, tudo para se concluir “It’s useless to live”… Depois, em “John Wick”, somos pensados a pensar que se trata sobre a personagem de banda desenhada a que Keanu Reeves deu cara no cinema, mas não é, como se avisa logo: “No, that’s not true”… Em “More Big Birds”, chega o único momento em que Florence chega a cantar. São uns escassos “da-da-das”, que chegam a provocar um sorriso…

O disco termina com os sete minutos de “Every Day Carry”, tema que começa lentamente, vai crescendo até quebrar em dois minutos de “noise” para a banda voltar, plena de energia, e terminar de forma perfeita: “Curtains always closed”.

Pedro Brás Marques

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