London Grammar, “Californian Soil”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
O som do trio britânico evoluiu numa direcção mais mainstream.

Ao terceiro disco, os London Grammar parecem apostados em alargar os seus horizontes e conquistar novos mercados. É o que parece resultar quando se escuta o novo “Californian Soil”, onde a postura e a sonoridade se tornaram menos experimentais e mais universais.

London Grammar | “Californian Soil” | 2021

Se exceptuarmos os dois singulares minutos de “Intro”, o disco inicia-se com o tema-título e termina com “America”. Não parece inocente este balizar geográfico e nominativo, até porque se atentarmos em faixas indubitavelmente pop como “Lose Your Head” e “How Does it Feel”, torna-se claro que o som do trio britânico evoluiu numa direcção mais mainstream. Não se trata de mais uma edição do “the brits are coming”, mas a aproximação a alguma da pop que se produz por aquelas bandas parece evidenciar um propósito claro. Musicalmente, ainda nos oferecem trip-hop (adocicado…)  em “Californian Soil” e belíssimas melodias como “Talking” e  “I Need the Night” mas sente-se saudades das novidades experimentais de “If You Wait” e da pureza do belíssimo “Truth is a Beatiful Thing”. Aliás, do que se sente realmente falta é da voz inconfundível, “crua” e “livre”, de Hannah Reid, que aparece agora moldada, “presa”, equalizada a outras que por aí circulam. Compare-se com “Strong” ou “Rooting for You” e tudo se torna evidente.

O disco é mau? Não, não é. Mas “Californian Soil” deixa um sabor agri-doce ao ouvinte que se deliciou com os dois excelentes trabalhos anteriores. Aliás, prova de que a banda ficou algo hesitante sobre este novo caminho é que, se fosse um LP, o lado A era pop, o lado B seria…London Grammar. Aliás, como Hannah canta em “Missing”, “Everybody’s got their own idea, Of right and wrong with arms wide open”. Quase todas as letras versam o mesmo tema, as relações humanas, essencialmente na sua versão emocional e amorosa.

Em “All My Love”, onde se nota um ligeiro e inesperado bouquet irlandês, canção que Hannah considera a melhor do álbum, a sua voz eleva-se, sóbria e melancólica, lamentando o seu amor que deixou de ser cor para ser sombra: “ I see all of your colour, Drain from you, Oh darling, I feel all of your energy, As it starts to fade from you, And I see all your shadow in pieces on the floor”. London Grammar Vintage. Pena que as compras para a garrafeira tenham contemplado poucas pérolas destas…

Pedro Brás Marques

Últimas Reportagens
Menu

Bem-Vindo(a)!