Lord Huron, “Long Lost”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
“Long Lost”, o melhor da banda e, certamente, um sério candidato a um dos melhores do ano.

Os Lord Huron são um dos segredos mais mal guardados do indie norte-americano. O projecto de Ben Schneider tem uma “base fan” enorme, mas quase só circunscrita aos EUA. A mistura de estilos e o inquestionável som melódico das composições já produziram três discos antes de se chegar a este “Long Lost”, o melhor da banda e, certamente, um sério candidato a um dos melhores do ano.

Lord Huron | “Long Lost” | 2021

Com os dois primeiros álbuns, “Lonesome Dreams” (2012) e “Strange Trails” (2014) a banda angelina parecia querer erguer-se acima das habituais rotinas musicais do alt. country, nomeadamente daquelas irritantes canções com coros e guitarras acústicas, como os Fleet Foxes, os Mumford & Sons ou, cruzes canhoto, os The Lumineers nos vão enchendo os ouvidos. Notava-se ali um crossover com outros aromas, algumas gotas experimentais vindas do rock e do rockabilly, coisas que Tarantino não desdenharia para uma banda sonora. O sucesso entre portas era grande, basta reparar que “The Night We Met”, deste segundo trabalho, conta com mais de oitocentos milhões de streamings no Spotify… Mas a banda não adormeceu e, em 2018, surgiu “Vide Noir”, em que Schneider absorve influências electrónicas, acelera na guitarra eléctrica e trava na acústica, criando ambientes mais “dark”, até porque, confessadamente, a inspiração para o disco terá nascido das suas deambulações nocturnas por Los Angeles. 

Chegamos, então, a “Long Lost”, a belíssima proposta do Lord Huron para adoçar estes tempos ainda encobertos em que vivemos. Quem quiser um “crash course” e perceber rapidamente o que é som da banda proponho que escute o tema-título, uma extraordinária canção pop, levemente melancólica, que Richard Hawley, por exemplo, não desdenharia. E a letra? Atente-se: “Leave me where the light pours down through the trees like rain, Let it wash over me like a flood, let it ease my pain, Let it drown me” (…) “Leave me where the moonbeams carve through the leaves like blades, Lay me in the tall-grown grass in a shallow grave, Let it have me…

Na mesma onda, mas com perfume “tex-mex”, os Lord Huron propõe-nos, ainda, a “groovy” “Mine Forever” e a recaída folk de “Love Me Like You Used To” e “Twenty Long Years”. Em “Meet me in The City”, a escuridão invade-nos ao som dos lamentos – da guitarra e de Schneider: “Am I not the one you’re drеaming of, my angel?”. A excelência regressa na atormentada “Drops in the Lake”, onde se lamenta “dismal and darksome like clouds in the sky of my soul…”. De entre os dezasseis temas, notas altas para “I Lied”, um dueto com Allison Ponthier e para os catorze minutos do instrumental “atmosférico” “Time’s Blur”.

Long Lost” é uma belíssimo disco, de difícil catalogação, o que é sempre bom, muito na sequência do que sempre foi a eclética visão musical de Ben Schneider. Canções de enorme veia melódica, recheadas com excelentes letras, a fazerem de “Long Lost” um dos melhores discos saídos em 2021.

Pedro Brás Marques.

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