Japanese Breakfast, “Jubilee”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Um álbum de degustação lenta, para ir descobrindo a cada nova audição.

Há já algum tempo que não se ouvia nada de novo dos Japanese Breakfast, o projecto musical de Michelle Zauner. O primeiro disco, “Psychopomp” tinha saído em 2016 e, no ano seguinte, o excelente “Soft Sounds from Another Planet”, onde estavam os temas mais conhecidos da banda, “Road Head” e “Boyish”.

Japanese Breakfast | “Jubilee” | 2021

Quatro anos depois, a norte americana de ascendência coreana apresenta “Jubilee”, um álbum que assume ser “diferente” dos anteriores, muito marcados pela sua trágica experiência pessoal e familiar. A melancolia ainda lá está, mas não há dúvida que o tom é bastante mais colorido e animado. Aliás, basta atentar no tema de abertura, “Paprika”, onde se estabelece logo que “Lucidity came slowly, I awoke from dreams of untying a great knot”. O que ameaça ser um tema melancólico é pouco depois contrariado por um som quase de festa, porque isso da solidão não é aconselhável: “But alone it feels like dying, All alone I feel so much”.

O mote está dado e confirma-se no dançável “Be Sweet”, com um saboroso aroma pop retro, embora Michelle ainda tenha dúvidas, pois “I wanna believe in something”… Logo depois, na belíssima “Kokomo, IN”, regressa a melancolia por via da partida da pessoa amada: “If I could throw my arms around you, For just another day…” Em “Sickle Tackle”, a aposta é diferente, emergindo um som pop sofisticado, sempre em crescendo até ao refrão, que termina num saxofone a recordar claramente os ambientes e a estética dos anos 80. “Posing in Bondage” leva o ouvinte para campos perigosos, mas é a própria Michelle a esclarecer que apenas se refere à ligação fraterna e amigável e não a conotações sexuais. Uma canção em duas partes, evoluindo duma entrada soft para uma saída com uma batida forte e hipnótica. Em contraste, “Savage Good Boy” apresenta uma sonoridade radicalmente diferente, mais próxima do rock, o que continua em “In Hell”. Travões ao fundo, com violinos e piano eléctrico, na belíssima “Tactics”, onde a voz de Michelle está mais doce do que nunca, “tried to recall, memories of peaches, the sun on my neck…”. O disco termina com a longa “Posing for Cars” que, mais uma vez, se inicia de forma clama e suave, algo folsky, para evoluir para outras paragens sonoras, onde não faltam solos de guitarra.

Jubilee” é um álbum a merecer aplausos, constituindo um regresso em beleza dos Japanese Breakfast, que não alinharam em facilidades. Canções onde se nota imenso trabalho de composição e de harmonização, em que notoriamente se procurou evoluir em relação a registos passados. Numa altura de imediatismo pop, este é um daqueles álbuns de degustação lenta, para ir descobrindo a cada nova audição.

Pedro Brás Marques

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