Lightning Bug, “A Color of The Sky”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Este é um disco para ser escutado apenas na companhia do silêncio, pois só assim se será capaz de captar a leveza das canções da banda e, principalmente, a feérica voz de Audrey Kang.

É a banda sonora das noites de Verão! Não das que se transformam em espontâneas aulas de aeróbica pela noite dentro, mas sim daquelas outras cuja magia irrompe após o último suspiro luminoso do disco solar. Este é um disco para ser escutado apenas na companhia do silêncio, pois só assim se será capaz de captar a leveza das canções da banda e, principalmente, a feérica voz de Audrey Kang

Lightning Bug | “A Color of The Sky” | 2021

Os Lightning Bug não são propriamente desconhecidos, pois “A Color of the Sky” é já o terceiro disco da carreira, após “Floaters” (2015) e “October Song” (2019). Sempre se mantiveram dentro do registo delicado da “dream pop”, com pinceladas brutas de “shoegaze”. Mas eis chegados a 2021 e a banda propõe um ramalhete de dez suaves canções, duas delas instrumentais, sendo que as restantes estão recheadas de belíssimas letras.

O disco abre com “The Return”, a falsa confirmação de que a banda está de volta. Porque do que se trata mesmo é da vontade de Audrey em voltar às cores e ao encanto de tempos já passados: “But as I stare into the heart of my own twisting fire, The songs yet to be written flock around me like a choir”… A electricidade das guitarras faz-se ouvir e o ritmo acelera levemente em “The Right Thing Is Hard To Do”, onde a nostalgia se mantém: “And time… Is time still on our side?”. Segue-se a extraordinária e melódica “September Song, pt II”, para logo depois escutarmos o ruflar das asas do desejo, daquele não racionalizado, a vontade de que algo aconteça sem se saber o quê: “The past is made of stardust, The future’s shifting sand, If it’s my own path that’s drifting, Then where am I to land?”.

Tempo, agora, para o primeiro instrumental, “The Chase”, anunciando sonoridades mais próxima do shoegaze que a banda cultivou nos discos anteriores, “Song of the Bell” e “I Lie Awake”. Novo instrumental curto, “Reprise”, para a recta final, com as confissões do tema-título, onde Audrey e uma guitarra revelam que “I turn to poetry I turn to the books I read To say what I mean”. O disco termina com o pop vocal de “The Flash”, onde parecem ter identificado a fonte da sabedoria: “Is where the real wisdom grows / Light”.

Escuta-se “A Color of The Sky” e a vontade é de que o disco nunca mais acabe, que a tal noite de Verão continue, assim, perfeita, a embalar-nos e a transportar-nos para uma outra dimensão…

Pedro Brás Marques

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