The Vaccines, “Back in Love City”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Um mergulho perfeito no oceano formado pelas águas que provêm dos rios da pop, da electrónica, de algum rock de aroma indie e de alguma nostalgia disco dos anos 70 e 80

O que é que esperavas dos The Vaccines?”… Bem, para dizer a verdade, contava com mais um álbum indie rock, cheio de guitarras aceleradas e batidas duras, mas vim encontrar um punhado de canções alegres e dançáveis, daquelas que “aposto que ficam bem na pista de dança”…

Na verdade, o novo disco da banda londrina é um mergulho perfeito no oceano formado pelas águas que provêm dos rios da pop, da electrónica, de algum rock de aroma indie e de alguma nostalgia disco dos anos 70 e 80. Aliás, esta tendência para o rock dançável é praticamente uma moda, basta atentar nos últimos trabalhos de Beck, dos Arcade Fire, dos The Strokes, dos Pearl Jam e, acima de todos, a revisitação aos sucessos dos The Bee Gees pelos Foo Fighters. Mas, até nesse aspecto, a banda de Justin Young não se limitou a ser mais uma, antes anunciando um disco conceptual. Na verdade, “Back in Love City” é uma viagem pelos universos urbanos distópicos, como em “Blade Runner” ou “Matrix”, onde a escuridão, os neons e muito sexo comercial são presença obrigatória e onde o verdadeiro amor poderá ser a única salvação.

O álbum começa com uma batida disco para depois se escutar os desabafos declamados de Justin Young, “Can’t find the truth, If you don’t know where it grows, It’s as rare as real pleasure, And celebrities at shows” para depois explodir no refrão, tudo num crescendo capaz de por aos saltos qualquer multidão. A fórmula repete-se logo em seguida em “Alone Star” recordando que “You’re not alone”. A viagem prossegue para o hit “Headphones Baby”, uma crítica dançável à sociedade que vive isolada dentro duma redoma e daí a necessidade, mais até do que a vontade, de “I wanna live inside your headphones, baby”. A velocidade ainda aumenta com “Wanderlust” onde Young dá asas à sua liberdade criativa, com rimas deliciosamente absurdas como “I’m your motel militia, Gelato vanilla” ou “But I feel like burrata, And less like Sinatra”. Ao vivo, “Wanderlust” deve ser arrasadora.

Tempo para um ligeiro ‘pit stop’, com “Paranormal Romance” e “El Paso”, onde julgamos estar a escutar a banda sonora dum western, um pouco como os Muse fizeram com “Knights of Cydonia”, mas num registo menos épico. Tempo para voltar à estrada, o que é feito com o convite “Jump Off The Top”, uma canção festivas, com um refrão ‘catchy’ e onde as guitarras conseguem algum destaque. Em “XTC” volta a necessidade de novos voos e a crítica ao passado, à “ex-city”: “There’s a rumour going ’round that I’m empty, But only ’cause I didn’t fit in XCT”. Seguem-se mais duas propostas direitinhas para as pistas de dança, “Bandit” e “Savage”, tendo no meio a vertiginosa “Peoples’ Republic of Desire”, talvez a melhor canção do disco, uma proposta rock a transbordar de energia. O disco termina com “Heartland”, um hino de admiração aos Estados Unidos, “Still remember falling in love with you, America (America)” e com “Pink Water Pistols”, num registo confessional: “I’ve been working on my mind’s interior design, Tryna give this place a little light”…

Como em qualquer banda, há sempre aquele momento em que surge a ‘vexata quaestio’ de saber se o próximo disco vai manter a sonoridade dos anteriores ou se se avança para novas sonoridades. Os londrinos começaram com um claro som indierock em “What Do You Expect from The Vaccines” e de sucessos como “Post Break-up Sex”, “If You Wanna” e “I Always Knew” e hoje propõe algo inclassificável, uma fusão altamente dançável entre diversos estilos. E funciona, pois “Back in Love City” é um disco conceptual mas divertido, dançável mas sem mau gosto e que só peca por não ter sido lançado antes do Verão!

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