Public Service Broadcasting, “Bright Magic”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
São onze temas em que tom geral é épico.

Os Public Service Broadcasting são um dos projectos mais interessantes dos últimos anos. Recorrendo a samplers de gravações de arquivos, nomeadamente do British Film Institute e do The National Archives, elaboram álbuns conceptuais, cada um com o seu tema específico. Assim aconteceu com “The Race for Space”(2015) sobre a conquista espacial e com “Every Valley”(2018) sobre a indústria mineira no País de Gales, sempre com assinalável sucesso. São composições essencialmente instrumentais, entrecortadoas pelas vozes de convidados como Tracyanne Campbell, dos Camera Obscura, ou de James Dean Bradfield, dos Manic Street Preachers. Já passaram várias vezes por Portugal, nomeadamente pelo Primavera Sound e, em registo próprio, pelo Hard Club e Lisboa ao Vivo, espectáculos que completaram com elementos cénicos e vídeos.

Public Service Broadcasting | “Bright Magic” | 2021

Agora, apresentam novo trabalho, “Bright Magic”, uma proposta com enormes conotações germânicas. Pelo site da banda fica-se a saber que a inspiração apareceu a J. Willgoose, a alma criativa do trio londrino, quando ficou fascinado pela leitura de “Berlin: Imagine a City”, de Rory McLean. O impacto foi tal que decidiu ir para lá viver e escrever “um disco sobre gente que vai viver para Berlim para escrever um álbum”. Uma vez lá, fez o que já havia feito em Londres: arqueologia sonora, junto dos arquivos nacionais, de onde retirou os habituais excertos. Em seguida, convidou Blixa Bargeld, dos Bad Seeds e Einstürzende Neubauten, e Andreya Casablanca, dos Gurr para as vocalizações. Meteu tudo nos Hansa Tonstudios, esperando escutar os ecos de Bowie, dos Depeche Mode e dos U2, que ali realizaram múltiplas gravações. E assim nasceu “Bright Magic”, que “não é sobre uma cidade mas sobre todos os locais onde os humanos interagem”.

São onze temas em que tom geral é épico. Wilgoose não é nenhum Richard Wagner ou Fritz Lang, obviamente, mas a verdade é que soube criar melodias que evocam a ideia de grandiosidade que habitualmente se associa à Alemanha – basta escutar “Lichtspiel III”. Depois há a questão do uso da língua alemã que ainda acentua mais essa sensação e, claro, numa banda que usa e abusa da electrónica, obviamente que se nota por ali o fantasma dos Kraftwerk, como é patente em “People Let’s Dance” ou até de Vangelis, na fase “Blade Runner”, como em “Der Sumpf (Sinfonie der GroBstadt)”.

Em “Der Rhythmus der Maschinen“, com a participação de Blixa Bargeld, assinale-se a presença de guitarras elétricas que conferem à canção um peso e uma força notáveis. Há canções mais mainstream, porque também são precisas para uma maior abrangência, como “Blue Heaven”, com Andreya Casablanca, e de “Gibt Mir Das Licht”.

Um belo álbum, onde a homogeneidade temática é notória, e onde os PBS conseguem, mais uma vez, criar algo que está bem acima da soma dos ingredientes.

Pedro Brás Marques

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