Actors, “Acts of Worship”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Sem ser um álbum entusiasmante, não deixa de ser uma proposta acima da média, mesmo para lá do circuito post-punk/darkwave.

Há três anos, os Actors estrearam-se com estrondo com “It Will come to You”. Um som e uma postura post-punk e um punhado de excelentes canções, onde se destacam “PTL” (de 2012), “Face Meets Glass” e, especialmente, “We Don’t Have to Dance”, consubstanciaram um promissor cartão de apresentação.

Mas eis que chega novo disco, o tal que, por vezes, vem infectado pelo “síndrome do segundo disco”. Felizmente, não é o caso. “Acts of Worship” é um trabalho que demonstra claramente que a banda canadiana não ficou criativamente presa ao seu disco inaugural, mas erguem-se dúvidas quanto ao acerto relativamente ao caminho escolhido.

A verdade é que aquele som post-punk, dark e denso, com o baixo como maestro, não terá sido completamente arredado, mas foi adamado com escolhas mais suaves, com os sintetizadores a liderarem, estando agora mais próximos de bandas como os Ultravox, de Gary Numan ou, até, das segundas linhas dos Human League.

Savage Heart” é o tema inicial que anuncia esta tendência. Vocalizações suaves, em dueto de vozes masculina/feminina, algo já presente nos trabalhos do quarteto canadiano, mas que, agora, se acentuam. Pouco depois, surge “Obsession”, a canção mais negra e, talvez, com as melhores letras de todo o álbum, plenas de imaginário gótico: “In the dead of night, when you are alone, The shadows come, To take you home”… “Strangers” será, porventura, a proposta mais elétrica, talvez por as guitarras tomarem a dianteira e reclamarem o poder da noite: “When the night begins to fall, We’re strangers after all”. Nota, ainda, para “Obsession”, com as guitarras a aproximarem-se perigosamente de sonoridades new-wave/neo-romantics, a que não falta a declamação de trechos em francês, como que a evocar o clássico “Fade to Grey”, dos Visage: “Ici pour avoir un bon moment, a genoux”…

Não valerá a pena escalpelizar cada canção do disco, porque o sentido geral deste segundo disco dos Actors está encontrado. Não foi, claramente, um álbum para marcar presença, antes um trabalho dedicado e pensado. A opção por deixar entrar mais luz será discutível, mas “Acts of Worship”, sem ser um álbum entusiasmante, não deixa de ser uma proposta acima da média, mesmo para lá do circuito post-punk/darkwave.

Pedro Brás Marques

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