Soccer Mommy, “Sometimes, Forever”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Sophie Regina Allison não se deixou estagnar, antes procurou novas respostas para as perguntas que a inquietam, “às vezes ou sempre”.

Sophie Regina Allison tem apenas vinte e cinco anos e já lançou três discos duma maturidade inacreditável. Sob o nome Soccer Mommy, o nick que usava no Twitter, acaba de lançar “Sometimes, Forever”, o sucessor de “Color Theory”, aquele que foi indiscutivelmente um dos melhores álbuns de 2020.

Soccer Mommy | “Sometimes, Forever” | 2022

Mas convém ir um pouco mais atrás para apreciarmos convenientemente o percurso desta norte-americana, nascida na Suíça mas criada nesse viveiro musical chamado Nashville, no Tennessee. Após algumas edições avulsas, aparece em 2018 com “Clean”, um álbum onde espelhava amargura e até raiva, como a expressa em “Your Dog”, onde relatava uma relação de sujeição e submissão. O disco seguinte, “Color Theory”, veio mais suave, com as teclas a adocicarem um som mais rico e sofisticado, visível em temas como “Circle the Drain” e, principalmente, “Yellow is the Color of Her Eyes”. O arco evolutivo chega, agora, a “Sometimes, Forever”, onde a sua delicada melancolia se mantém, mas há, claramente, uma maior capacidade para absorver e interpretar o mundo, sinal manifesto de maturidade.

O disco inicia-se com a maravilhosa “Bones”, a princípio só com voz e guitarra, a que se virá a juntar o resto da banda. O registo amoroso, agora, é de confiança: “You make me feel like I am whole again” continuando na mais suave “With u”, onde Allison desabafa que “Being with you is all I can do, The stars and the moon can’t compare”. “Unholy Affliction” é mais a mais escura do álbum, uma visão desumanizada, arrancando com sonoridades electrónicas, com a voz sintetizada de Allison a anunciar que “I’m barely a person, mechanically working”. Inversão de marcha com a batida forte em conversa com o baixo para anunciarem “Shotgun”, o single que anunciou o álbum.

New Demo” é um manifesto anti-político que começa em registo folksy e avança para territórios mais próximos do shoegaze. E se já tinha falado em drogas, agora, em “Darkness Forever”, fala em medicamentos contra distúrbios mentais como lítio, por entre guitarras distorcidas que insistem em “Don’t Ask Me”. “Fire in the Driveway” traz uma atmosfera dreamy, antecipando nova investida electrónica em “Following Eyes”, talvez a canção mais dark de todo o disco. “Feel it All the Time” é indie rock puro, e o disco termina com “Still”, um misto de alerta com esperança: “I need someone who can relate, ‘Cause I lost myself to a dream I had”…

Sometimes Forever” é muito bom. Não chegará a “Color Theory”, mas mostra que Sophie Regina Allison não se deixou estagnar, antes procurou novas respostas para as perguntas que a inquietam, “às vezes ou sempre”.

Pedro Brás Marques

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