NOS ALIVE ’22 – 4º dia

O dia foi dos Da Weasel que o celebraram em força, os Imagine Dragons têm hits de sobra para mobilizar o público e os Parcels deram um espectáculo sem pausas, com o palco secundário à pinha.
NOS ALIVE ’22 – 4º dia

No último dia de NOS Alive as pernas já começam a falhar em alguns momentos mas a expectativa do reencontro com Da Weasel afasta o cansaço. Há que gerir o tempo e, sem grandes saltos nem sobressaltos, a coisa faz-se.

Começamos com Los Invaders, no palco secundário, já com muitos corpos, se bem que a maioria sentados à sombra, a economizar energia e aproveitar o concerto com o olhar. Os Los Invaders são o tipo de banda que vale mais pelo esforço do que pelo talento – e isso não merece ser ignorado. Sem grandes conhecedores da sua música em Portugal, aproveitaram para explorar clássicos de sempre – passando por sons de Fat Boy Slim, Bee Gees e até Crazy Frog. Deu para entreter, mas depressa dispersamos. Havia Haim no palco principal.

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As três irmãs são já caso sério no panorama do índie rock. O trio de Los Angeles tem subido a fasquia ao longo dos anos – cresceram de meninas queridas (como aconteceu há uns anos no Rock in Rio) para mulheres feitas de rock n’roll, sem medo de nada nem de ninguém.  Outro factor que as distingue é a mensagem que querem passar – atrás, no palco, existia um letreiro gigante com a frase: “Women In Music”.

Alana agora também tem um extra – é atriz e já conhecida do grande público depois do sucesso de “Licorice Pizza”, de Paul Thomas Anderson. Já Este Haim (a mais velha) fica mais na memória pelo engate perdido quando se aproximou de um homem na frontline que, além de a rejeitar, aproveitou para beijar a mulher e a filha. Um momento insólito mas ainda assim divertido. Outro instantâneo alheio à música foi a partilha da memória de na última passagem por Portugal “curtir com tanta gente” que estava deveras “entusiasmada estava por voltar a Lisboa”. “Beijam muito bem”, concluiu.

Este, Danielle e Alana têm tentam passar a sua mensagem de diferentes formas – e a música é só uma das armas.

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E depois de três meninas no palco principal, os cinco guerreiros que esperávamos há 12 anos. Não aconteceu em 2020, adiou-se para 2021 e só em 2022 conseguimos ver o regresso dos Da Weasel. “Custou mas foi!”, disse Carlão aka Pacman num dos momentos de interação com o público.

Seria difícil defraudar as expetativas de quem aguardava há mais de uma década para este momento. DJ Glue foi o primeiro a chegar, pegou na mesa de mistura e lançou os primeiros sons, ainda indecifráveis, daquela que seria a volta perfeita dos homens da Margem Sul. “Loja (Canção Carocho)” traz os outros quatro com Carlão e Virgul à cabeça, assegurados pela guitarra e baixo (muito em forma) de Quaresma e Jay. Seguiu-se “A Essência” e “Força”, uma das preferidas do público e que fazia todo o sentido neste regresso poderoso depois de três anos à espera do regresso da Doninha.

A banda escolheu uma setlist muito eclética, variando sempre entre os sons mais punks dos primeiros álbuns e os hits mais fofinhos e comerciais. A plateia queria um pouco de tudo, qual rodízio musical. Aquela guitarra marada de “Jay”, o bilhete de ida de “Carrossel” ou somos grandes gigantes com 10 metros de altura em “Dialetos de Ternura” criou um êxtase descomunal. 

Sentia-se cansaço na voz de Carlão, o que é compreensível já que há muitos anos anos que não se dedica a um rap tão convencional de muitas barras em poucas estrofes, mas isso até passou despercebido pela excentricidade de Virgul a puxar pelo público, fosse para saltar, mexer as mãos entre a esquerda e a direita – um autêntico entertainer, entenda-se. Havia ali uma responsabilidade acrescida, justificou, com a presença dos filhos que não existiam antes do último concerto dos Da Weasel, em 2010.

Em “Casa (Vem Fazer de Conta)” não houve Manel Cruz, que também atuava no NOS Alive naquela noite. Apenas o pudemos ver através dos hologramas do palco principal, tornando o momento menos humano mas igualmente respeitoso. O calor do público foi recíproco na forma como os membros da Doninha apresentaram músicas como “Mundos Mudos” (com Carlão visivelmente emocionado). Em “Retratamento” sentiu-se que não há qualquer tipo de “generation gap” – cantada por pessoas de todas as idades a envelhecer muito bem em 2022. Para terminar uma mudança entre o toque mais samba de “Toque-Toque” (com Virgul em destaque). “Adivinha Quem Voltou” fez-nos relembrar porque estávamos ali, enquanto “God Bless Johnny” e “Tás na Boa” deu-nos os Da Weasel mais puros, bem punk, como aprendemos a amá-los.

Para fechar, um abraço de grupo ao som de “Palavra”, música pertencente aos Da Weasel com colaboração do já falecido Bernardo Sassetti. Um concerto tão nostálgico como bonito. Merece segunda ronda, não é verdade?

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Tudo o que pudesse aparecer daqui para a frente conseguiria ser bom, mas nunca excelente, mesmo que o fosse. O rescaldo coube a Imagine Dragons, com Dan Reynolds à cabeça, com um corpo de fazer inveja (o top transparente de alças nem tanto). É totalmente impossível não conhecer meia dúzia de músicas, e o aparato além música inclui confetis e jogos de luzes, porque um espectáculo não se faz sozinho.

Nesta 3ª passagem pelo NOS Alive e finalmente cabeças-de-cartaz, os Imagine Dragons souberam contagiar não deixando fugir nenhum dos hits: “Thunder”, “Whatever It Takes”, “Natural” e “Demons”, antes da saída da banda para o encore. Aí foi a famosissima“Radioactive” a ganhar voz (começou ao piano e foi por aí fora, com a força que lhe é conhecida). Uma banda mainstream que sabe o que quer fazer e consegue levar o público consigo para momentos bonitos de celebração.

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No palco secundário, o grande nome da noite eram os Parcels. Os australianos ganharam um nível de popularidade notório nos últimos anos, muito por culpa daquele mítico concerto em Paredes de Coura (2019), com uma magia inexplicável e que entrou facilmente para os melhores do ano.

Aqui a missão era outra – num festival mais comercial esperava-se uma casa mais modesta e uma prestação mais comedida. Mas aquilo a que se assistiu foi completamente frenético, com uma plateia a rebentar pelas costuras. E o espetáculo que os cinco elementos deram ali foi digno de star quality – há muito que não víamos um concerto sem pausas, com todos os elementos sempre sincronizados e sem rodeios para aquela que seria sempre a próxima música – um trabalho de garagem que valeu o respeito dos fãs portugueses. Músicas mais antigas que deram a conhecer ao grande público  “Iknowhowifeel” e “Tieduprightnow” não ficaram esquecidas, bem como os sons mais recentes do último álbum, editado em 2021 – “Lightenup”, “Comingback” e “Somethinggreater”. O eletropop está vivo, veste-se de anos 70 e os portugueses adoram!

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Com um concerto tão irrepreensível de Parcels, ficou dificil largar e experimentar um pouco do pote de Two Door Cinema Club. Já muitos festivaleiros tinham desistido de se susterem em pé, o que é um ultraje à música mexida da banda composta por Sam Halliday, Alex Trimble e Kevin Baird. Ainda fomos a tempo de duas ou três músicas antes do êxito “What You Know”, que deu mote aos teasers de promoção a esta edição do NOS Alive. A forma certa de terminar um concerto já com a grande maioria de pé. Porque os hits são para serem festejados!  Até para o ano, NOS Alive!

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Texto: Rui de Sousa
Fotografias: Jorge Pereira

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