Beach Bunny, “Emotional Creature”

SUSPEITO - PEDRO BRÁS MARQUES
Som no máximo, porque é Verão e as canções dos Beach Bunny são perfeitas para uma “summer party”.

Há dois anos, os Beach Bunny estreavam-se com enorme estardalhaço. “Honeymoon” era uma proposta alegre e divertida, um conjunto de canções que misturava indie-rock com a agressividade contida do garage-rock. Depois, a sorte bateu-lhes à porta: “Cloud 9” e “Prom Queen” caíram nas graças dos militantes do TikTok, catapultando a banda para um inesperado sucesso. A verdade é que o disco, sem ser excepcional, era bastante bom e abriu as portas do rock a uma geração mais habituada à música electrónica.

Beach Bunny | “Emotional Creature” | 2022

Surge, agora, o sempre complicado segundo disco, “Emotional Creature”. Os Beach Bunny, sejamos claros, são o projecto da vocalista, letrista e compositora Lili Trifilio, que se nota ter amadurecido alguma coisa neste seu segundo trabalho. Com 25 anos, não está ao nível de profundidade e complexidade de Lucy Dacus, Phoebe Bridgers ou Julien Baker, por exemplo, mas é inegável que continua a imprimir uma vitalidade e uma alegria ao que escreve e compõe, como se comprova ao longo deste novo trabalho.

O disco começa de forma relativamente suave com “Entropy”, onde se torna claro que a voz de Lili está mais robusta, em contraste com letras dirigidas a uma audiência jovem: “Running away through the rain with you, darling (…) I wanna kiss you when everyone’s watching”. Segue-se “Oxygene”, tema de apresentação do álbum: guitarras e bateria a imprimirem um ritmo veloz e contagiante, a que é impossível resistir. Tudo leve e doce como um amor adolescente: “Suddenly, everything is easy, I’ve never felt something so deeply, ‘Cause with you, with you, I breathe again, Baby, you’re my oxygen”.

Na curta “Deadweight” voltamos ao território indie-rock, mas com uma inesperada mudança de ritmo já perto do final, que chega a evocar Vampire Weekend. “Gone”, “Fire Escape” e “Karaoke” continuam na senda da alegria amorosa enquanto em “Eventually” as guitarras trazem alguma escuridão, ecoando as dúvidas de Lili: “The faster I run from the problem, The harder I fall”. Dúvidas emergem igualmente em “Weeds”, onde, entre mudanças de ritmo, se confessa que “You can’t blossom if you keep growing gardens out of weeds”.

Coros e ritmos mais lentos compõe “Scream”, até porque a temáticas prende-se com as dores de crescimento: “I want to feel everything, But when I do, it makes me quеstion if I’m falling wrong”. E o pano cai com “Love Song”, uma das melhores composições de “Emotional Creature” e onde Lili realmente mostra a tal maturidade que emana neste segundo álbum, com letras que lhe granjeiam o título de songwriter: “Your voice is the music, So I hum to the tune of your grace, You talk like an author, Always reading the thoughts on my face…

Um segundo álbum que em nada desilude, evoluindo o estritamente necessário para não desiludir os fãs da primeira hora. Mas se há sementes no jardim, então elas vão certamente crescer. Aguardemos mas, até lá, som no máximo, porque é Verão e as canções dos Beach Bunny são perfeitas para uma “summer party”.

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