Paredes de Coura – Dia 3

3º dia de festival e confesso que acordei de manhã (não foi bem de manhã, para dizer a verdade) com uma preguicite aguda incaraterística. Talvez fosse só porque os concertos agendados para este dia não me despertavam tanto entusiasmo...
Paredes de Coura – Dia 3

Depois de um banho quente nas piscinas municipais, fui ao rio, onde já estava Nuno Lopes a tocar, num presente inesperado mal embrulhado, mas muito bem recebido. Bem vistas as coisas, isto é o Vodafone Paredes de Coura, não pode haver lugar para desânimo. O ator e DJ gerou à sua volta uma enchente de gente, criando um ambiente próximo e familiar lindo de se ver, antes de terminar dizendo que este era o sítio onde mais gostava de tocar. Um aquecimento bem-vindo antes da sua atuação oficial, dia 20.
Fui então almoçar com uma animosidade diferente e dirigi-me para o recinto, curioso para ouvir Yellow Days. Groovy, relaxada e relaxante, a banda inglesa trouxe uma vibe positiva que prometia mais um dia repleto de bom ambiente e música de qualidade. Ironicamente, terminaram com “Panic Attack“, canção com um batismo ligeiramente antitético à sua natureza.

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Seguiu-se, no palco secundário, o enigmático Donny Benét, apresentando o seu mais recente EP “Le Piano“, antes de “The Comet is Coming” deixarem um ar da sua graça, com um jazz psicótico e dançante consistente e bem executado. Uma energia que ganhou ainda mais força com o punk extasiante de Parquet Courts, num concerto que terminou com Andrew Savage a suar em bica, depois de ter deixado tudo no palco.

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Mais tarde, com os carismáticos Turnstile, vivemos de forma intensa uma performance cheia de vida e pujança, com um punk hardcore rejubilante. Cheia de força, humildade e paixão, a banda agradecia constantemente a uma plateia que só podia sentir gratidão. Temas eletrizantes bem conhecidos do público como “Blackout” ou “Mistery” funcionaram como uma dose forte de cafeína, num frenesim explosivo e imprevísivel. Ou sou eu que estou a ficar lamechas, ou há de facto uma proximidade íntima especial em muitos dos concertos. No fim da atuação, Brendan Yates agradeceu por uma das melhores noites da sua vida com abraços sentidos à fila da frente. Posso dizer que apesar de não ser muito a minha onda, foi entusiasmante sentir a energia incrível dos músicos americanos e vibrar nas fileiras mais dianteiras.

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Mas a grande estrela da noite foi L’Imperatrice. O teclado pulsante, o baixo funky e um groove hipnótico dançante chamaram de imediato a atenção de uma assistência expectante. “Off to the Side” foi a música de abertura, com o refrão catchy a prender o interesse dos mais distraídos, isto antes de a cantora surpreender toda a gente ao explicar em português que esta era a primeira vez que a banda atuava em Portugal.
Com um coração brilhante no peito, Flore Benguigui cantava sobre uma mágoa solitária em “Submarine“, dançando sobre um riff arpejado eletrizante do baixo, perfeitamente articulado com a guitarra. Mas, fosse qual fosse o tema, tudo soava divertido. Várias foram as vezes em que eu próprio fiz da relva pista de dança e, entre gargalhadas e sorrisos desinibidos, abracei o momento com quem estava comigo.

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A qualidade dos músicos era por demais evidente e uma vivacidade contagiante fazia-se sentir até nas filas mais distantes. Um concerto cheio de groove, ânimo e paixão, merecedor dos aplausos mais longos e vigorosos do festival até agora, num momento visivelmente emotivo para a cantora francesa.
Foi um dia em que a magia do festival me seduziu gradualmente, culminando numa já referida despedida inesquecível. Há alturas em que temos de ser humildes e reconhecer cada privilégio saboroso com que somos presenteados. E estar aqui é um deles. Por isso, recordando a mensagem de Brendan Yates, deixo aqui o meu sincero e modesto obrigado, ansioso por curtir o dia de amanhã.
Até já!

TEXTO: Lucas Castro
FOTO: Ana Ribeiro

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