A alma de MICHAEL KIWANUKA

O Pedro Brás Marques assistiu ao concerto do Porto, a Teresa Mesquita fotografou o concerto de Lisboa, e a Imagem do Som partilha o testemunho do primeiro e as imagens da segunda.
A alma de MICHAEL KIWANUKA

A 23 de setembro de 2022 Michael Kiwanuka atuou no Super Bock Arena, no Porto e a 24 de setembro de 2022 no Campo Pequeno, em Lisboa: o Pedro Brás Marques assistiu ao concerto do Porto, a Teresa Mesquita fotografou o concerto de Lisboa, e a Imagem do Som partilha o testemunho do primeiro e as imagens da segunda.

À terceira foi de vez!”, deve ter sido o desabafo dos produtores dos concertos de Michael Kiwanuka em Portugal, após dois cancelamentos. E ainda bem que assim aconteceu, porque seria uma pena não receber um dos nomes mais importantes da soul contemporânea.

Michael Kiwanuka | Foto © Teresa Mesquita (Imagem do Som)

Com o Super Bock Arena praticamente cheio, Kiwanuka apresentou-se de guitarra na mão, começando por interpretar a suave “Piano Joint (This Kind of Love)”, com o palco pintado de vermelho e azul, como que anunciando a dualidade que o atormenta e caracteriza, algo que marcaria o resto da noite, numa viagem que passaria por sons quentes e frios, por canções tristes e outras mais ‘upbeat’, para terminar em “amor e ódio”. Seguiram-se quatro canções em ritmo ‘non stop’: “One More Night”, You Ain’t the Problem”, “Rolling” e “I’ve Been Dazed”, sublinhando claramente que o enfoque do alinhamento era o seu último álbum, “Kiwanuka”, de 2019, aliás, a razão de ser desta ‘tour’ inicialmente agendada para 2020.

Michael Kiwanuka | Foto © Teresa Mesquita (Imagem do Som)

Chegou então o primeiro grande momento do concerto, com uma versão esticada e trabalhada, ao nível vocal e musical, de “Black Man in a White World”, canção que, olhando para o público presente, não deixava de ser irónica. Seguiu-se “Rule the World”, após a qual Kiwanuka agradeceu a paciência do público pela longa espera de dois anos para o ouvir. Tempo para outro grande momento, com “Hero”, abrilhantada por momentos psicadélicos e pelo longo solo de guitarra de Kiwanuka. O concerto entrava na recta final , o que aconteceu com “Light”, “Final Days” e mais uma versão longa, desta vez para “Solid Ground”.

Para o encore, estavam reservados os principais hits, três deles pertencentes a “Love & Hate”, o seu extraordinário álbum de 2016. Começou com “Falling”, seguiu com “Home Again”, onde saudou todos os presentes, muitos vindos de diversos países, continuou com a versão mais curta de “Cold Little Heart” (tornada famosa na série da HBO, “Big Little Lies”) e fechou com a extraordinária “Love & Hate”, numa versão muito próxima do original, longa de sete minutos e que, mais uma vez, comprovou o virtuosismo da banda que acompanhou Michael Kiwanuka. O minimal e murmurado refrão é rasgado pela voz firme mas suave do cantor, “standing now, Calling all the people here to see the show, Calling for my demons now to let me go, I need something, give me something wonderful”… E o Porto efectivamente deu-lhe – que não restem dúvidas!

Michael Kiwanuka | Foto © Teresa Mesquita (Imagem do Som)

Um belo concerto, onde a única coisa que não funcionou foi o local escolhido, demasiado grande para os silêncios e para as pausas que são parte integrante das suas composições, impossíveis de escutar por via das conversas e do ruído ambiente. A música de Kiwanuka não é para palminhas e coros, é para ser escutada com resguardo e, até, com alguma solenidade. Ali perto está a Casa da Música, local perfeito para o Porto receber, numa próxima visita, a voz melancólica e as emoções que Michael Kiwanuka brilhantemente soube transformar em canções.

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FOTOS: Teresa Mesquita
TEXTO: Pedro Brás Marques

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