North Fest: Que festival o conseguirá superar?

Em 3 dias de música, com muita chuva à mistura, marcaram o início da época festivaleira. Da América à Europa, com ritmos latinos, funk, rock e muito groove, o Porto continua a mostrar a sua essência. Viva 2023! O ano promete...
North Fest: Que festival o conseguirá superar?

A qualidade do cartaz previa um fim de semana em cheio. No primeiro dia, encabeçavam os The Chemical Brothers. O segundo dia estava reservado para os ritmos provenientes de Terras de Vera Cruz e o final do festival trazia-nos o incomparável entertainer Robbie Williams.

Soavam as 18:00h quando os nortenhos Jafumega entravam em palco para celebrar a quarta década de grandes temas. O festival começou com o pé esquerdo… Uma banda deste calibre, com um repertório repleto de hits não pode tocar para uma casa vazia! O espetáculo decorreu como previsto; Kasbah, LatinAmerica, La Dolce Vita são alguns dos intemporais sucessos de Luís Portugal. Os poucos que fizeram questão de homenagear os Jafumega, fizeram-se ouvir alto e bom som. Como se não bastasse a parca adesão, fruto de muitos estarem ainda a trabalhar, a atuação foi forçada a ser reduzida. Muito provavelmente pelos 15 minutos de atraso, o aviso de que o fim estava a chegar, apanhou-nos de surpresa. Ainda assim – poucos, mas bons – conseguimos obrigar Luís Portugal a um micro encore. Foi uma longa história que deixou muitos episódios por contar…

Logo a seguir, entram os Trabalhadores do Comércio. Sérgio Castro, João Médics, Daniel Tércio, João “Pony” Machado, Jorge Filipe Santos e Miguel Cerqueira entram acompanhados pela Daniela Costa e por Diana Basto. Mais uns belhótes para sacudir o pó… Acontece que os Trabalhadores do Comércio estão a gravar um novo álbum, do qual já circulam nas redes sociais o tema Na desportiba. Assim, sem mais demoras, foi mesmo por aí que começaram; pelo “ObjeCto“. Reforçando Sérgio Castro, o C é para evidenciar… Esta m*rd@ dos acordos ortográficos não funcionam…

Seguem-se temas de outros tempos e outros álbuns. Uma roupagem diferente, até porque Médicis já não é mais o rapazinho que canta De manhá eu bou ó poum, e é preciso adaptar. Daniela Costa assume a postura infantil e lidera este tema de invulgar (mas merecido) sucesso. Chámem a Pulissia, Colo do Douro e O Voto Útil são outros temas que acompanham o repertório e que obrigam a que o pessoal (que vai chegando a conta gostas) se dirija rapidamente para a frente. Começa a descer o sol e a paisagem bíblica do Rio Douro perde-se pela falta de “olhos” que a contemplem. Os Trabalhadores do Comércio confirmam o que vinha desde o concerto passado: começou cedo demais!

A noite chega, finalmente, e The Legendary Tigerman beneficia da magia das luzes. O excêntrico Paulo Furtado sobe ao palco com uma substituição de última hora. Entra Ed Rocha dos Best Youth para uma prestação segura.

A surpresa vem da Colômbia. Os Bomba Estéreo apresentam-se em palco num registo mais naturalista. Cobertos de folhas e plantas, o cenário lembra uma selva misteriosa; daquelas que vemos nos filmes. A luz negra faz o terror dos fotógrafos. Li Saumet entra com cores fluorescentes, para contrastar com a iluminação. O efeito, conjuntamente com os lasers, cria um ambiente maravilhoso. Confesso que nos perdemos na presença, mais do que com as músicas…

Finalmente chega o ponto alto da noite. De recordar que os comentários sobre a afluência não eram os melhores. O recinto não estava sequer meio cheio… Nem os The Chemical Brothers salvaram a noite. Um DJ set com uma enorme produção visual terminam a primeira noite do melhore festival de verão. Estaríamos perante o primeiro fiasco?

O segundo dia, dedicado aos ritmos transatlânticos, contou apenas com a voz de Nininho Vaz Maia. O cigano traz, com orgulho, as suas raízes na voz. Com sucesso projetado graças ao youtube, Nininho não desiludiu. Abre as hostes para um dia difícil com Ana Castela, Gustavo Mioto e Ivete Sangalo. Há que tenha dito que foi o melhor dia do festival…

Chega, por fim, a prova de fogo… Domingo, último dia, Robbie Williams entrará em cena por volta das 23h. O recinto, esse, e por ser fim de semana, enche rapidamente. A noite começa com Tiago Nacarato que entretém até à entrada dos The Black Mamba.

Com uma atuação algo apagada, para o que é normal, Tatanka goza de quase uma hora de concerto. Puxa dos galões e salva a atuação com um permanente diálogo com o público. A chuva cai e o público mantém-se para o momento que os fez gastar uma quantia discutível de dinheiro, por um bilhete de festival.

A noite vez para ficar e eis que entra em cena mais um portuense de gema. Pedro Abrunhosa é uma personagem acarinhado e admirado por todos. Com a sua postura intervencionista e as mensagens políticas, revista os álbuns mais antigos e põe a malta a cantar e a saltar. O público é dele. Talvez tenha sido o primeiro a fazê-lo (neste terceiro dia). A chuva não dá tréguas, mas Deus reserva os maiores desafios para os seus melhores guerreiros e Pedro Abrunhosa lutou até ao fim. Uma batalha ganha que lhe rendeu a vitória na guerra contra a meteorologia. Os deuses renderam-se e desistiram, fazendo parar a chuva. Quem beneficiou foi Robbie Williams!

O inglês sobe ao palco para delírio geral. Envergando uma camisola de futebol, o número 8 é o escolhido para as costas. Estranho! Dizem que o número da sorte é o 7… Contrariamente ao que muito dizem, os ingleses não são arrogantes e RW provou isso mesmo. Uma atuação cheia de interação com o público, onde conheceu o Francisco, dedicou uma música aos seus dois filhos e cantou com as gémeas (perdão por não me recordar dos nomes). She’s The One foi a cançao adaptada para que a “outra” gémea não se sentisse excluída. Entre uma música e a outra, passou o olhar pela Carolina, uma fã de 15 anos, tendo sido obrigado a parar para simplesmente elogiar o seu sorriso. São pormenores que nos elevam o ego e fazem de nós especiais.

Brincou com os curiosos que assistiram ao concerto das varandas de suas casas e falou do início dos Take That, dos vícios, das drogas e dos momentos de depressão com os quais, ainda hoje, se debate. Mas o que mais o surpreendeu foi a resiliência da nossa malta. “Quando cá chegamos, pesámos que íamos ter pouca gente. Eu próprio não aguentava com tanta chuva, por causa de um concerto!”. Até pode ter sido impostorice (não me parece), mas o certo é que todos fomos uns bravos. Por isso, merecemos o que vimos! Um grande concerto (não muito extenso), repleto de hits e com um sentimento de presença tal, que conseguiu tocar-nos, a cada um individualmente, ao mostrar que a fama é uma questão de … adereços. Robbie Williams é um tipo normal!

Obrigado Robbie; obrigado bandas nacionais, obrigado bandas estrangeiras. Obrigado Vibes & Beats pelo magnífico fim de semana e pela abertura da época “festivo balnear” de 2023.

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