NOS Alive – Dia 2

O dia provavelmente com o número de nomes mais sonantes agarrou os mais velhos a Idles e Artic Monkeys e Lizzo e Lil Nas X à nova geração. E há espaço para todos!
NOS Alive – Dia 2

Performances para todos os gostos e feitios (num lineup que até faz parecer os Artic Monkeys da velha escola) – Dia 2 do NOS Alive.

O segundo dia de NOS Alive era talvez o mais eclético de todos. Aliás eclético para uns, desequilibrado para outros. Os quatro principais nomes do Palco NOS Stage em pouco têm a ver uns com os outros. De um lado o punk e sonoridades rock de Idles e Artic Monkeys, do outro os grandes perfomers da atualidade: Lizzo e Lil Nas X. 

Linda Martini @ NOS Alive | Foto: Teresa Mesquita

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Antes de entrarmos nestes grandes nomes que fizeram jus aos concertos deste ano, vamos focar-nos nas pequenas boas surpresas que nos apareceram à frente dos olhos nos palcos secundários. Se bem que começámos a tarde com os portugueses Linda Martini a abrir o palco secundário. Este ano a celebrarem 20 anos de carreira fica difícil um comum festivaleiro nunca ter visto a banda naquele espaço ou noutro com nomes de música mais alternativa. Sobre o concerto, a felicidade corria-lhes nas caras porque, pois claro, estão a abrir um grande palco de um grande dia. Houve espaço para todas as músicas mas foi no fim com ‘Amor Combate’, entoado por uma moldura bastante considerável para um final de tarde num dia de semana. Bandas como esta são sempre uma carta segura no baralho inteiro de um festival de verão.

City and Colour @ NOS Alive | Foto: Teresa Mesquita

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No período seguinte estivemos no concerto dos City and Colour. O projeto criado por Dallas Green fez algum furor no público envolvente. Homem de “barba rija” mas com uma musicalidade virada mais para tons de folk-rock, Green levou o seu concerto para patamares entre o amigável e o intimista. Só tivemos oportunidade de assistir à primeira meia hora mas o canadense deixou belas impressões.

Idles @ NOS Alive | Foto: Teresa Mesquita

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A caminho do palco principal para assistir ao concerto de Idles, no WTF, naquele daquele dia dedicado ao rap, hip-hop e trap, deparamo-nos com o início do concerto de Xtinto. O rapper de Ourém fazia ali a sua primeira aparição no NOS Alive e bem carregado pela banda que acompanhava nos seus flows e “cuspos” a uma velocidade estratosférica. Xtinto oferece versos muito trabalhados e em redor sentia-se que alguns fãs sabiam as letras de uma ponta à outra. Em pouco mais de 10 minutos conseguimos sentir o novo sangue do rap/trap nacional. E por tudo isto, longa vida ao rap!

Normalmente associamos finais de tarde em festivais a algo mais festivo e/ou intimista. Creio que não possamos classificar Idles em nenhuma destas categorias e este horário associado pode não ter deixado satisfeito os milhares de fãs da banda. A plateia já estava muito bem composta para este concerto – pudera, os Idles é uma das bandas mais ascendentes ao vivo dos últimos anos e com um bom passa-a-palavra de que os concertos ao vivo são extraordinários, conseguem cativar toda aquela massa antes das 20h.

19h20 em ponto e lá chegam os cinco membros, prontos para “destruir” o Alive. Joe Talbot, Mark Bowen, Lee Kiernan, Adam Devonshire e Jon Beavis aparecem, a maioria com trajes significativos – Tabot com uma fita na cabeça (qual tenista?) e Bowen de vestido (como é já habitual registo) são os mais diferenciados.

À medida que o sol cai, os Idles vão a todo o gás para o seu rock n’ roll sem regras. Algo que a banda britânica atrai significativamente o público é através de mensagens subliminares entre as suas músicas. Cânticos anti-sistema, mãos ao alto para dizer “que se f*da o rei”, os Idles não brincam quanto a este tema. Querem fazer música pura e a melhor maneira de o fazer é expressar ao mesmo tempo de onde vêm, o que sentem e o que querem!

Durante uma hora a festa foi superlativa: houve tempo para um crowdsurfing logo ao início com o guitarrista Kiernan a aventurar-se entre o público, Talbot ainda deu uma ajuda a tocar bateria com o companheiro Jon Beavis e no fim do concerto, terminou-o com a camisa completamente encharcada! Missão cumprida, quem dá tudo (como sempre) a mais não é obrigado! Um dos grandes concertos deste festival.

Fotografia retirada do facebook oficial do NOS Alive

A noite começava a dar sinal e Lizzo entrava em cena, no NOS Alive. Com um palco colorido e estruturas trabalhadas para uma performance que prometia, a norte-americana entrou empenhada na sua aparição em Portugal. “Obrigado”, “Lisboa” e “Portugal” não faltaram durante o concerto mas claro que não foi nestes pequenos detalhes que Lizzo venceu ou ganhou o público. Isso ela deixou para a sua voz e performance.

A estética ajuda muito esta nova geração de artistas a superar-se. No mundo de tiktok é cada vez mais importante cativar desde logo o primeiro segundo e Lizzo sabe como conquistar. Um palco de neons azuis e vermelhas com muitos detalhes e corações davam um fundo incrível a Algés – até porque música também é entretenimento.

Além de uma grande voz que se fez ecoar por Algés, relativamente aos seus quatro álbuns lançados, Lizzo tem outras valências que fez questão de mostrar ao grande público. Algumas danças twerk que os deixaram ao rubro ou então um simples tocar de flauta transversal, elevando a sua parte de soul e jazz que também o tem na sua música. Lizzo estudou música clássica e toda esta mistura de estilos musicais no seu hip-hop e pop torna as suas músicas mesclas assinaláveis.

Assistimos realmente a um momento de interação completamente contrário ao do último dia – Lizzo estava pronta para conversar e incentivar o público a amarem-se mais e mais a eles próprios. Também houve espaço para assinar o cartaz de um fã e terminou o espetáculo em grande, vestindo uma bandeira LGBTQIA+, mostrando o seu apoio à comunidade. A música é para todos e Lizzo faz questão de o sublinhar.

Fotografia retirada do facebook oficial do NOS Alive

Os Artic Monkeys eram a próxima banda a entrar em palco. Claramente o grupo mais generalista de todos aqueles que que estavam no palco principal, no segundo dia. A banda inglesa trazia o novo “The Car” na bagagem e ansiava-se como a banda poderia incorporar esta musicalidade menos “rockeira” ao seu espetáculo. Óbvio que a solução não está nas músicas mais recentes mas sim nas mais antigas, aquelas que fizeram sucesso do grande público e funcionam plenamente em conceito de festival. Do I Wanna Know”, “R U Mine” e “Why Do You Only Call Me When You’re High” foram provavelmente as que geraram maior buzz e impulsionam Alex Turner e companhia a poder enveredar por temas mais recentes entre estes hits.

A nível de interação, os Artic Monkeys já não têm a paciência de outros tempos e aí o estilo generalizado britânico a vencer. Não é por isso que passa a ser um mau concerto, longe disso. Temas como ‘Brainstorm’ ou ‘Fluorescent Adolescent’ não ficaram esquecidos, nota que os Artic Monkeys também sabem o que o público quer e oferece-lhes sem rodeios. Depois do ano passado no MEO Kalorama, este ano no NOS Alive, é certo que se forem confirmados em algum festival português, esse dia ficará esgotado – e escrevemos aqui para guardar: não vai desiludir!

Para terminar uma noite que já ia longa (muito pelo atraso de 40 minutos do artista) e cheia de sucessos, Lil Nas X juntou-se ao palco principal para mais performance da boa. Sucesso na geração atual, o artista levou tudo o que define: excentricidade, loucura e músicas de sucesso.

Aos 24 anos, Montero Lamar Hill é um autêntico fenómeno. Tudo bem que talvez seja de uma certa idade para baixo, mas isso tornou o NOS Alive um ambiente muito familiar, onde os pais podem ver o seu artista favorito e os filhos exatamente o mesmo no espetáculo seguinte. Com Lil Nas X, tudo faz parte do show – a começar no palco, completamente futurista até ao outfit, de calças brancas, um corpete dourado e uma peruca loira. Infelizmente as calças não tiveram a mesma sorte dos elementos anteriores. Passado apenas alguns minutos depois do começo, as calças de Lil Nas X romperam-se – contudo este momento não deixou de ser um sucesso entre a multidão.

Depois de uma primeira parte onde cativou tudo e todos, no “encore” Lis Nas X apresentou-se apenas de sunga azul brilhante, completamente destemido de preconceitos (não tivesse também uns cornos de touro na zona da cabeça). O que ele quer é sentir-se livre – e isso começa na música e prolonga-se pelo próprio artista. Os temas “Old Town Road”, “Industry Baby” ou “Montero” foram cantados do início ao fim, o que demonstra o sucesso que o norte-americano já é em tenra idade

Um segundo dia muito vistoso esteticamente e difícil de superar nesta edição 2023.

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