Com o ecletismo e o charme da francofonia – assim foi o 2º dia de SBSR

Provavelmente é inédito em Portugal: uma mão cheia de bandas compunham um dia inteiro de um grande festival em Portugal. Aconteceu na sexta-feira, segundo dia do Super Bock Super Rock. Shame, Capitão Fausto e Charlotte Gainsbourg também deram o ar da sua graça.
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O dia começou cedo. Muitas eram as bandas apetecíveis e portuguesas para assistir nas primeiras horas do segundo dia de Super Bock Super Rock. Os Conjunto Corona, uma banda nortenha que aposta no hip-hop na vertente mais bairrista, estava ali de pedra e cal a convencer que a suas músicas satíricas enão são regionais mas sim para todo o país (ou para todo o mundo caso ele tenha sentido de humor). “Santa Rita Lifestyle” e “Chino no Olho” foram alguns dos temas que despertaram bons abanões de cabeça e risos sistemáticos ao grupo do Porto.

No palco mais curto começavam os Fugly, outra banda originária do Porto e que leva o punk-rock como pedra fundamental da sua essência. Durante uma hora foram conduzindo o público naquilo que o festival descreve no seu nome: um super rock que foi chamando cada vez mais pessoas àquele pequenino palco. Curiosamente, os Fugly acentuaram ainda mais o seu gosto por aquele festival quando admitiram que eles próprios estavam ali a acampar nestes três dias de regresso ao Meco.

A tarde começava a cair, é verdade. Mas caía a um ritmo pesado no punk invasivo dos Shame. A banda inglesa, que esteve também a abrir o palco principal no Vodafone Paredes de Coura do ano passado, entra a todo o gás. O vocalista Charlie Steen sabe contagiar e até trazer, ao longe, o público do seu lado. O que não é um problema pois não passaram 30 minutos para Steen saltar de costas num bonito e emblemático “crowdsurfing” – uma forma inconsciente de também dar força ao tal super rock que falávamos ao início. Com uma banda empenhada e revolta, o espetáculo vai sendo maior e acaba novamente num salto ao público descomunal, digno de um grande festival. Para quem não conhecia Shame, certamente não há vergonha em transmitir o grande concerto que se passou ali naquele final de tarde.

Pausa para uma cerveja que a loucura nas filas da frente foi enorme. E uma corrida desalmada para o palco secundário porque a banda da moda: os Capitão Fausto, mandavam os primeiros acordes das músicas do novo álbum “A Invenção do Dia Claro” – foram tocando ao longo da hora de concerto. “Sempre Bem”, “Lentamente”, “Boa Memória” e “Amor, A Nossa Vida” foram alguns exemplos de músicas que os fãs que preenchiam a vista cantavam desalmadamente, em união e conforto. O quinteto jogava em casa: é natural de Lisboa e até relembraram ali, naquele início de noite, que há sete anos tinham estado ali no primeiro concerto da banda no Meco: “Tínhamos um acampamento chamado Gazela, que veio dar nome ao nosso primeiro álbum”. Espaço também para os principais hits dos Capitão Fausto e a certeza que o Meco será um palco para voltar. Quem sabe se no palco principal!

© Melissa Vieira

Capitão Fausto Galeria Completa

Também no palco EDP, atuava a seguir Charlotte Gainsbourg – uma mulher multifacetada que usa a voz a seu favor. Certo que tinha uma enchente menor que Capitão Fausto, mas mesmo assim com meia casa, encantou a plateia com os seus tons melancólicos mas virados também para o pop-eletrónico, tendencialmente francês, tal como a maioria dos artistas que se seguiam nos outros palcos. Sem uma atuação de encher o olho, Gainsbourg sai do Meco com a sensação de dever cumprido.

À mesma hora dois registos completamente diferentes mas originários do mesmo país: no palco Somersby, Roméo Elvis controlava a pouca mas efusiva plateia, enquanto os Phoenix (um dos cabeça-de-cartaz do dia), tocam efusiavamente mas uma plateia composta mas controlada.

Roméo criou um elo de ligação com as comunidades francófonas ali no Meco: viam-se bandeiras francesas, belgas mas Roméo não esquecia de relembrar Portugal e o sentimento de felicidade por fazer parte de um cartaz tão ligado às suas raízes gaulesas. A cantar 100% em francês, como aliás é pouco visto em festivais portugueses, o concerto de Rómeo entrou em todas as vertentes do hip hop, incluindo um mais pesado quase lembrando os míticos Limp Bizkit.

Já os Phoenix começaram muito bem com músicas bem conhecidas e mexidas do público português: If i ever feel better”, Lisztomania”, “Too young”, “Lasso”. Mas o empenho, tanto da banda como do público foi começando a descrever à medida que o concerto avançava. Os franceses vinham apresentar o seu mais recente álbum “Ti Amo” e o facto das músicas ainda serem pouco conhecidas, também influenciou este desfecho mais parado.

© Melissa Vieira

Phoenix Galeria Completa

Com outra energia estava outro francês: FKJ, o chamado homem-banda. Sozinho, diante de uma plateia imensa (talvez tantas pessoas interessadas como os Phoenix), FKJ deu uma festa do tamanho do seu talento. Optando por cantar, tocar três teclados diferentes, três guitarras (todas elas penduradas como se tratasse de um armário de roupa), um baixo e um saxofone, deu tudo o que podia ali em loops ativos e descomprimidos de preocupação. A noite estava fresca e foi nessa maresia musical que FKJ deu provavelmente o melhor final de noite ao Meco este ano.

© Melissa Vieira

FKJ Galeria Completa

Um Super Bock a ser multicultural, como se quer.

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