Geração Bastille vs Geração Franz Ferdinand – ganhou o público num todo! – 2°dia do North Music Fest

As bandas anunciadas para o segundo dia faziam antecipar uma enchente. Tanto se concretizou, como o espetáculo foi garantido nos principais nomes do dia. Os portugueses Glockenwise e Capitão Fausto prepararam esse festim!
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As primeiras movimentações do segundo dia de North Music Fest começaram cedo: a organização tinha promovido nas suas redes sociais a transmissão da final da Taça de Portugal entre Sporting e FC Porto.

Algumas centenas de pessoas assistiram ali, na Alfândega, ao jogo mas com o teimoso empate entre as duas equipas, o mesmo teve de ser alterado para o palco indoor. Isto porque os Glockenwise estavam prontos para subir ao palco principal e cantar os mais recentes temas em português do álbum “Plástico”.

A banda original de Barcelos, apresentou-se mais na vertente das músicas em Português, sobre um véu de luzes azuis, tão consistentes na própria capa deste último álbum. À medida que o jogo da Taça terminava, mais pessoas iam aparecendo no palco principal onde tiveram oportunidade de ouvir “Moderno”, “Corpo” ou “Dia Feliz”.

© Nuno Machado

Glockenwise – galeria completa

 

A noite começava a cair sobre o Douro, os Glockenwise agitaram os primeiros corpos e os Capitão Fausto deram a certeza que o futuro da música portuguesa está em boas mãos.

Os homens de barcelos deram lugar à banda sensação de Lisboa. Dois pólos diferentes mas com muito em comum. Os Capitão Fausto vinham ao North Music Festival apresentar o seu mais recente disco “ A Invenção do Dia Claro”: letras de músicas como Sempre Bem ou Boa Memória ecoaram por todo o recinto, já que a casa cada vez se ia mais amontoando naquele início da noite.

Com tempo para divulgar também os trabalhos antigos que os consagraram, Tomás Wallenstein e os restantes companheiros honraram “Amanhã Tou Melhor” ou “Teresa”, principais êxitos que marcaram a primeira geração fã da banda lisboeta. Entre umas cervejas bebidas, uns agradecimentos ao público, os Capitão Fausto saíram com a certeza que este é provavelmente o disco que os vais fazer chegar às massas. Pelo menos ali, quem não os conhecia, ficou fã seja das músicas mais psicadélicas como das baladas ao piano.

© Nuno Machado

Capitão Fausto – galeria completa

 

Entre o concerto dos Bastille, nota para uma força musical do distrito de Leiria no palco secundário. Antes os alcobacenses Stone Dead com o seu rock bem oleado, depois os Cave Story, caldenses, que usaram um rock mais pesado para fazer abanar as dezenas de esqueletos que se mostravam muito interessados naquele tom.

Pois bem, do outro lado, no palco principal, Dan Smith e a restante banda chegavam à Alfândega para dar uma festa misturada entre o pop, o rock e a electrónica, bem apreciada por aquela geração dos vintes que ansiava por aquele concerto e todos os hits que os Bastille tinham para partilhar.

Os Bastille vinham com um trabalho de casa preparado e trouxeram consigo vários adereços e artimanhas para aguçar o apetite dos festivaleiros. Houve músicas mais sentidas com Dan Smith sentado num sofá, outras mais especiais com o vocalista em cima de um escadote de três metros. As músicas “The things we lost in the fire e a psicadélica “Happier” deram um ânimo aos jovens fãs que estavam ali nas primeiras filas do espectáculo.

© Nuno Machado

 

Bastille – galeria completa

 

O concerto foi em crescente e os aplausos, cânticos e interacção foram tornando-se mais constantes e verdadeiras. Tanto que o vocalista, em “Flaws” decidiu fazer aquilo que o vocalista dos Bush tinha feito no dia anterior – saiu desenfreadamente por dentro do público e cantou em plenos pulmões. Houve tempo para tudo, até para vestir um boné cor-de-rosa de referente a uma despedida de solteira.

© Nuno Machado

Os britânicos, com o público na mão, já só precisaram de lançar a famosa “Pompeii” para que a festa chegasse com o mesmo gás às últimas filas. Durante aqueles cinco minutos, difícil foi ver alguém parado. Um bom resumo deste concerto: festa pura!

© Nuno Machado

Pausa para alguns irem à casa de banho, outros para fazer refill da sua cerveja e a plateia da frente ia alterando, a pano leve, a faixa etária. Agora era mais uma fasquia dos 30 para cima a ganhar cor nas primeiras filas, o que é normal: uma geração de ouro de 2000 que queria ver um dos grandes influenciadores do rock daqueles anos.

Os Franz Ferdinand vinham com a classe que os habituou, em especial o mítico vocalista que veio ao seu estilo british, casual chic de Glasgow. Imagens a preto e branco davam uma cor minimalista de fundo e as guitarradas deram força aquela hora e meia de concerto, que começou já depois da meia noite.

© Nuno Machado

Os cinco magníficos começaram com um alinhamento menos conhecido do público, incluindo “Black Tuesday”, uma música nunca antes tocada ao vivo pela banda. Em “Right Action”, o vocalista estava com tanta vontade em dar show que acabou por rebentar uma corda – justificando a força que estava a dar àquele momento.

© Nuno Machado

As pessoas abanavam as cabeças, umas aos sons das guitarras, outros da bateria. Mas era certo que o rock dos Franz Ferdinand não deixava ninguém despercebido. Alex Kapranos, esperneava, agitava, gritava. Era um bicho de palco pronto para rebentar freneticamente com o Porto, conseguindo-o em temas mais conhecidos dos fãs como “Feel the Love Go”, “Ulysses” ou “Do You Want To”. Claro que um dos momentos da noite esteve na sonoridade irreversível de “Take Me Out”, que certamente fez saltar à mesma velocidade os corpos que estiveram mais no segundo dia do North Music Fest para ver os Bastille.

© Nuno Machado

Uma saída curta dos Franz Ferdinand, deram-lhes ainda um encore de 15 minutos de grande pujança. A última música também é daqueles momentos que ficarão guardados na memória dos festivaleiro: Alex Kapranos mandou todos sentar para que, quando a batida da música “This Fire” rebentasse, todos saltassem como se aquele fosse o último momento das suas vidas. E no que resultou? Um coro de “This Fire is Out of Control / I”ve Got to Burn This City”. Minutos finais frenéticos que lembraram que o rock ainda está bem vivo!

Franz Ferdinand – galeria completa

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