Rui Massena estreia o seu novo álbum ”III “ no Coliseu do Porto

Rui Massena estreia o seu novo álbum ”III “ no Coliseu do Porto

Isabel Mesquita
Isabel Mesquita
De gosto muito eclético adora conhecer e experimentar coisas novas. Interessa-se pelas mais variadas formas de arte. Tem sempre vários livros na mesinha de cabeceira...pelo menos um de poesia.
Com o Coliseu quase cheio a luz apaga-se, o concerto vai começar. Surge Rui Massena no centro do palco, sozinho, sob um foco de luz a tocar uma caixa de música.

Movimenta-se para o piano vertical e continua o tema. Depois já no piano de palco interpreta “The Tree prelúdio” na companhia de Rui Moreira no “Toy piano”, num piscar de olhos ao novo disco “III”.

Continua com “Amanhecer” e a “Band” constituída por 6 músicos começa a tomar os seus lugares, primeiro vêm as cordas e depois o resto dos elementos. Finalmente passa para o piano “Steinway” e toca “Estrada”, ambas composições do seu último álbum ”Ensemble”.

 

© Teresa Mesquita

Do seu primeiro disco de originais “Solo” começa por tocar “Fé”, que escreveu durante uma residência artística em Alfandega da Fé e que associa a «uma ideia de calma, de um começo, de um tempo próprio». E finalmente “Um lugar” do seu novo álbum “III”. Interrompendo os aplausos que se seguiram Rui Massena descontraído, informal e visivelmente feliz, deseja «Boa noite!» ao Coliseu.

Rui Massena vem apresentar ao vivo o seu novo álbum –III, com a sua Band, lançado em Novembro de 2018 pela Universal produzido pelo próprio e por Mário Barreiros. Gravado no Porto e em Berlim onde trabalhou com Tobias Lehman, vencedor de 3 Grammy e veterano da Deutsche Grammophon. “III “ é um disco que «promove a tranquilidade» como se fosse «algo terapêutico». O desafio com a Band foi «descobrir novos sons tentando criar conjugações sonoras originais», onde tenta um equilíbrio entre a sua formação clássica e os sons electrónicos e acústicos.

 

© Teresa Mesquita

Rui Massena é um divulgador incansável de música erudita, premiado internacionalmente, com um largo currículo como maestro sendo o primeiro maestro português a dirigir no Carnegie Hall, Nova Iorque em 2007.Foi maestro convidado da Sinfónica de Roma durante as temporadas 2009/2011, lançou dois álbuns “Solo” e “Ensemble” em 2015 que chegaram ao primeiro lugar dos tops. Foi maestro da Fundação Orquestra Estúdio ligada a Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura transformando-a num estrondoso caso de sucesso e colaborou com os “Expensive Soul” onde a música clássica encontrou espaço ao lado do “hip hop” moderno.

Rui vai intervalando os pianos e interagindo com o público conforme vai estreando o novo disco ou revisitando os trabalhos anteriores. Segue-se “D-Day”, “Lazy”, onde a “Band” se reúne num círculo à volta do maestro e depois “Nós” quase num diálogo entre piano e violino (Pedro Carvalho).

Sozinho em palco interpreta “Luzes” que é acompanhado de uma projecção de vídeo, depois “Dias assim” e a seguir “Valsa”, tema que integrou uma compilação da “Deutshe Grammophon” com outros compositores de referência do panorama internacional e como o próprio diz foi «um abrir de portas».

Os músicos retornam ao palco e segue-se “Mateus”, ”Família” onde faz uma homenagem à irmã Cristina Massena, designer das capas dos seus 3 discos e “Alento”.

Na despedida revela que «o último ano e meio foi particularmente exigente» e que «tinha sido um desafio pessoal e emocional» onde tentou «conciliar o conjunto de identidades musicais» e agradece ao «guru» Tó Cunha e à Universal.

 

© Teresa Mesquita

Dedica a próxima musica ao público e comunica que tem um convidado muito especial. De repente sobe ao palco o filho que se senta ao piano ao lado do pai tocando a primeira parte de “The tree” emocionando o coliseu. No meio do tema o filho sai de palco sob uma forte chuva de aplausos e continua com a “Band”. O público aplaude de novo e todo o Coliseu de pé pede mais sem nenhuma vontade de dar a noite por encerrada.

Os músicos voltam ao palco com o tema “Resistir” e mais uma despedida ovacionada com o público todo de pé.

Para o segundo encore reservou “Tolerância” e “Abem” durante o qual apresenta a “Band”. Termina com ”Home” dirigindo o coro improvisado constituído pelas vozes masculinas e femininas da audiência num “diálogo” bem disposto com os instrumentos musicais tornando a noite ainda mais “tranquila”, feliz e inesquecível.

 

Rui Massena – galeria completa

Isabel Mesquita
Isabel Mesquita
De gosto muito eclético adora conhecer e experimentar coisas novas. Interessa-se pelas mais variadas formas de arte. Tem sempre vários livros na mesinha de cabeceira...pelo menos um de poesia.